Banco do Brasil (BBAS3) dá sinais de reação? Agro será o grande teste do 2T26. Veja as análises
O Banco do Brasil (BBAS3) chega ao balanço do segundo trimestre com o mercado procurando menos um número espetacular e mais sinais de que a pior fase ficou para trás. Depois de um início de ano pressionado pela deterioração do crédito rural, provisões elevadas e rentabilidade menor, as casas de análise esperam alguma recuperação sequencial do lucro, mas ainda enxergam o agronegócio como o principal obstáculo para uma virada mais consistente.
O banco divulga os números do 2T26 nesta quarta-feira (12), enquanto a apresentação pública dos resultados está prevista para quinta-feira (13), segundo o calendário oficial de Relações com Investidores.
As projeções mostram bem essa cautela. A Genial espera lucro líquido de R$ 3,66 bilhões, alta de 6,6% em relação ao primeiro trimestre, mas ainda 3,4% abaixo do mesmo período do ano passado. A estimativa implica um ROE de 7,7%, ainda distante dos níveis de rentabilidade que o BB apresentou antes da piora do ciclo de crédito.
Lucro melhora, mas ainda sem uma virada
Na leitura da Genial, o segundo trimestre deve representar uma recuperação, mas ainda tímida. O lucro volta a crescer na comparação com os três primeiros meses do ano, porém sem indicar uma normalização completa do resultado.
O consenso compilado pela Bloomberg e divulgado pela Febraban aponta para lucro de aproximadamente R$ 3,78 bilhões, o que representaria crescimento de 10,1% na comparação trimestral e estabilidade frente ao 2T25.
A diferença entre as projeções é pequena e reforça uma mesma mensagem: o mercado espera melhora, mas não uma retomada rápida da rentabilidade.
Depois do 1T26, o próprio Banco do Brasil reduziu suas expectativas para o ano diante da deterioração da qualidade do crédito. A partir daí, a atenção dos analistas passou a se concentrar menos na expansão da carteira e mais em três pontos: custo de risco, formação de inadimplência e velocidade de recuperação do agronegócio.
Agro segue como principal teste de BBAS3
É no campo que deve estar boa parte da resposta sobre a qualidade do balanço.
O Banco do Brasil possui uma exposição estruturalmente maior ao agronegócio do que seus pares privados e passou os últimos trimestres enfrentando aumento dos atrasos e da inadimplência nessa carteira.
Segundo o Safra, os dados do segundo trimestre são especialmente importantes porque coincidem com o período de pagamentos da safra, quando parte dos produtores começa a regularizar compromissos. O banco já vinha adotando maior seletividade na concessão, ampliando o uso de garantias e renegociando operações para conter a formação de novos créditos inadimplentes.
A expectativa é de que essas medidas comecem a aparecer gradualmente nos indicadores. Ainda assim, o Safra ressalta que o custo do crédito deve permanecer elevado no curto prazo e que uma melhora mais consistente tende a ocorrer apenas ao longo do segundo semestre.
Esse ponto é importante porque provisões maiores afetam diretamente o lucro. Quanto mais o banco precisa reservar recursos para cobrir eventuais perdas com empréstimos, menor é a parcela do resultado que chega ao acionista.
Margem financeira pode oferecer algum alívio
Se o crédito rural continua pressionando, a margem financeira pode ajudar a equilibrar o trimestre.
O Banco do Brasil vem redirecionando parte do crescimento para linhas de varejo com maior spread, como crédito consignado, enquanto mantém uma postura mais conservadora nas concessões corporativas e no agro.
Juros ainda elevados também podem favorecer determinadas linhas de receita, embora aumentem o custo de captação e dificultem a capacidade de pagamento de parte dos clientes. O resultado dessa combinação deverá aparecer na chamada margem financeira líquida, uma das principais fontes de receita de um banco.
Para os analistas, o ponto mais importante será saber se essa melhora de margem consegue compensar ao menos parte das despesas adicionais com provisões. Também estarão no radar a evolução da carteira de pessoas físicas, a inadimplência inicial e o ritmo das renegociações no crédito rural.
O que pode mexer com as ações do Banco do Brasil?
Mais do que superar ou frustrar a projeção de lucro em algumas centenas de milhões de reais, o mercado deverá procurar sinais sobre a trajetória dos próximos trimestres.
Uma estabilização da inadimplência rural, menor formação de novos atrasos e algum recuo no custo de risco poderiam reforçar a percepção de que o pior ficou para trás. No sentido contrário, nova deterioração do agro ou necessidade maior de provisões poderia adiar ainda mais a recuperação da rentabilidade.
A Genial resume o cenário como uma melhora sem inflexão e espera que o agronegócio continue impedindo uma recuperação mais forte no trimestre. O Safra também adota uma leitura cautelosa, destacando que o 2T26 deve funcionar como um teste importante para as medidas adotadas pelo banco ao longo dos últimos meses.
Assim, o resultado do Banco do Brasil chega com expectativas relativamente baixas e um foco muito claro. Para BBAS3, o número do lucro será importante, mas a leitura sobre o crédito rural, as provisões e o ROE provavelmente terá peso ainda maior na reação do mercado ao balanço.