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Agro em dólar? B3 faz 1ª CPR pública cambial para pessoa física

B3 realiza primeira CPR pública com rentabilidade atrelada ao dólar para investidores pessoa física.

B3 realiza primeira CPR pública com rentabilidade atrelada ao dólar para investidores pessoa física.

A B3 realizou a liquidação da primeira CPR pública voltada ao investidor pessoa física com rentabilidade atrelada ao dólar. A CPR, sigla para Cédula de Produto Rural, é um título usado no financiamento do agronegócio e funciona como uma promessa de entrega futura de um produto rural ou de pagamento financeiro ligado a essa produção.

A operação, emitida pela Polato Sementes e estruturada pelo Itaú BBA, captou R$ 137 milhões. A emissão foi feita por meio de CPR-F, a Cédula de Produto Rural Financeira, dividida em duas séries.

O diferencial está na indexação em moeda estrangeira, com juros prefixados somados à variação da taxa de fechamento do dólar comercial norte-americano, a PTAX.

Como funciona a CPR?

Na prática, a CPR permite que produtores rurais, associações ou cooperativas antecipem recursos para financiar suas atividades. Em troca, assumem o compromisso de entregar um produto agropecuário no futuro ou, no caso da CPR Financeira, pagar um valor em dinheiro na data combinada.

Criada em 1994, a CPR se tornou um dos principais instrumentos de financiamento da cadeia produtiva do agro. Ela pode ser emitida em duas modalidades: a CPR Física, liquidada com a entrega do produto rural, e a CPR Financeira, liquidada em dinheiro.

Desde 2021, as CPRs precisam ser registradas em uma entidade autorizada pelo Banco Central, como a B3, para terem validade e eficácia. Tradicionalmente, o instrumento era mais usado em negociações bilaterais, como entre produtores e cooperativas, ou como lastro para emissão de CRAs.

Desde agosto de 2025, porém, a CPR Financeira passou a ser ofertada também para investidores pessoa física. Segundo a B3, desde que esse modelo começou a ser utilizado, já foram registradas 25 emissões de CPRs voltadas a esse público, somando R$ 15,4 bilhões.

Para a Polato Sementes, a operação marca uma nova etapa de acesso ao mercado de capitais. “Este momento vai muito além de uma operação financeira inovadora, ele representa a capacidade de uma empresa familiar de preservar suas raízes enquanto se prepara para novos desafios, representa a força do agronegócio conectado aos mercados globais e a confiança que o mercado deposita na nossa companhia”, afirma Orlando Henrique Polato, CEO da Polato Sementes.

Leonardo Betanho, superintendente de produtos de Balcão da B3, afirma que a possibilidade de captação com correção cambial via CPR surgiu em 2020, com a revisão da Lei do Produto. “Essa é a primeira vez que a flexibilidade é utilizada em uma oferta pública, e esse movimento amplia as possibilidades tanto para empresas quanto para investidores, criando uma nova alternativa de captação e de investimento”, diz.

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