Azul (AZUL53): S&P eleva rating após conclusão de Chapter 11
A S&P Global Ratings elevou na última quarta-feira (25) o rating de crédito da Azul (AZUL53) para ‘B-’, ante a nota anterior ‘D’, após a conclusão do processo de reestruturação financeira da companhia. A agência também atribuiu perspectiva estável ao novo rating.
Na escala global da S&P, a nota ‘D’ indica situação de inadimplência ou default. Já o ‘B-’ permanece dentro do grau especulativo, mas indica que a Azul voltou a ser considerada operacionalmente viável, ainda que com riscos relevantes diante de condições econômicas adversas.
Segundo a agência, a revisão reflete principalmente a redução da alavancagem e a melhora da estrutura de capital após a reestruturação.
Na semana passada, a Azul anunciou oficialmente sua saída do Chapter 11, nos Estados Unidos, após concluir o processo de recuperação judicial iniciado com base na legislação norte-americana.
Entenda por que a S&P revisou o rating da Azul (AZUL53)
A elevação do rating da Azul acontece justamente por conta dos movimentos realizados pela companhia para a saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.
De acordo com a S&P, a companhia reduziu aproximadamente US$ 1,1 bilhão em dívida financeira e cerca de US$ 1 bilhão em obrigações de leasing, o que representa uma queda de cerca de 40% na dívida bruta ajustada. A empresa também realizou uma injeção de capital de US$ 950 milhões e emitiu US$ 1,375 bilhão em novas dívidas para refinanciar compromissos anteriores.
Com a nova estrutura, a agência projeta que a relação dívida líquida sobre EBITDA fique entre 3 vezes e 3,5 vezes em 2026, ante níveis superiores a 6 vezes registrados em 2024 e 2025. O indicador de funds from operations (FFO) sobre dívida deve permanecer entre 15% e 20% nos próximos dois anos.
A S&P também estima melhora gradual da margem EBITDA, para 31,5% em 2026 e 32,5% em 2027, apoiada por uma frota mais eficiente, estrutura de custos mais enxuta e menor despesa com juros. Ainda assim, o fluxo de caixa operacional livre deve seguir negativo após pagamentos de leasing em 2026, com possibilidade de se tornar positivo em 2027.
Apesar do avanço, a agência ressaltou que a Azul (AZUL53) continua exposta à volatilidade cambial e aos preços do combustível, além de enfrentar pressão competitiva de empresas como LATAM Airlines e Gol.