Vale a pena investir na Sabesp (SBSP3)? UBS eleva preço-alvo e recomendação
As ações da Sabesp (SBSP3) voltaram ao radar do mercado após o UBS BB elevar a recomendação do papel de neutra para compra e revisar o preço-alvo de R$ 162 para R$ 169. A avaliação do banco é de que o mercado exagerou os riscos associados à escassez hídrica, o que abriu uma oportunidade de entrada para investidores.
De acordo com os analistas da instituição financeira, as quedas recentes das ações da Sabesp não estão respaldadas pelos dados operacionais da companhia, como também pelo cenário regulatório atual.
Para o UBS, as preocupações dos investidores com o nível dos reservatórios levaram a uma penalização excessiva das ações SBSP3. O banco avalia que o cenário atual não justifica a comparação recorrente com a crise hídrica de 2014 e 2015.
“Estamos elevando a recomendação da Sabesp para compra, pois acreditamos que as preocupações dos investidores com a escassez de água levaram a um desempenho inferior das ações, sem que a situação atual justifique essa reação do mercado”, dizem os analistas.
O UBS destaca que os dados recentes dos reservatórios indicam um cenário bem menos crítico do que o observado na última grande crise hídrica. Em 2025, o Sistema Cantareira ficou abaixo de 20% da capacidade por apenas quatro dias, contra 326 dias em 2014 e 365 dias em 2015.
Questões regulatórias reduzem riscos da Sabesp (SBSP3)
Outro ponto destacado pelos analistas do UBS é que a Sabesp hoje opera sob um arcabouço regulatório mais robusto do que no passado. Desde 2017, a companhia conta com um sistema de bandas regulatórias que ajuda a preservar os reservatórios em momentos de estresse hídrico.
Além disso, medidas como a Gestão da Demanda Noturna (GDN) e cláusulas contratuais que permitem o reequilíbrio econômico-financeiro reduzem os impactos de eventuais choques externos.
“Há uma possibilidade clara de reequilíbrio do contrato para compensar a Sabesp por perdas derivadas de condições externas extremas que levem à escassez de água”, diz o relatório.
Mesmo em um cenário considerado extremo, semelhante ao de 2015, o UBS estima que a queda de volumes seria de 9,4%, com impacto de cerca de R$ 3,2 bilhões no EBITDA da companhia. Ainda assim, o efeito representaria apenas 2,5% do valor de mercado da Sabesp.
Para o banco, esse impacto potencial é pequeno diante da forte desvalorização relativa das ações SBSP3 nos últimos meses.
“Acreditamos que um impacto potencial de 2,5% do valor de mercado, mesmo em um cenário de cauda, é pequeno demais para justificar a recente performance inferior das ações da Sabesp (SBSP3)”, avalia o UBS.