Cibersegurança vira risco para investidores: empresas conseguem conter um ataque?

A cibersegurança deixou de ser apenas um tema técnico. Para investidores, a capacidade de uma empresa detectar e conter um ataque pode determinar quanto tempo ela ficará parada, quanto perderá em receita e até se conseguirá preservar sua reputação.

O alerta foi discutido em uma mesa-redonda da Illumio com jornalistas, realizada em 10 de setembro de 2026. Dados do estudo Illumio/CyberEdge Group mostram que 99% das organizações brasileiras entrevistadas confiam na capacidade de detectar riscos em nuvem e vulnerabilidades. Outros 94% dizem conseguir conter rapidamente um ataque depois que o invasor consegue acesso.

O problema é que 49% apontam a fadiga de alertas como o principal obstáculo para identificar o chamado movimento lateral, quando o invasor sai do primeiro equipamento comprometido e avança para outros sistemas da empresa.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Banner-Materias-01-Dkp_-1420x240-1.png

Cibersegurança e continuidade dos negócios

A prevenção continua sendo importante, mas não impede todos os ataques. Ambientes conectados, sistemas em nuvem e aplicações de inteligência artificial ampliaram o número de caminhos que podem ser explorados.

“ A prevenção e a detecção continuam sendo essenciais, mas nenhum controle de defesa será capaz de impedir todos os ataques”, afirmou Raghu Nandakumara, vice-presidente de Estratégia de Indústria da Illumio.

Depois de uma invasão, o risco aumenta quando a rede é pouco segmentada. Uma credencial roubada em um computador pode permitir o acesso a servidores, bancos de dados e sistemas essenciais. Quanto mais conexões existirem, maior tende a ser o impacto de um incidente.

Para o mercado, isso significa que uma falha de segurança pode se transformar em interrupção operacional, perda de dados, multas, custos jurídicos e queda na confiança dos clientes. Empresas de setores regulados, como bancos, saúde e energia, também podem enfrentar consequências adicionais caso informações sensíveis sejam expostas.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

O que é contenção de violações

A contenção de violações, ou breach containment, consiste em limitar o alcance de um ataque depois que a primeira barreira foi ultrapassada. A estratégia busca isolar rapidamente o ponto comprometido e impedir que o invasor circule livremente pela rede.

O conceito está relacionado ao Zero Trust, modelo que não concede confiança automática a usuários ou dispositivos. Cada acesso deve ser validado de acordo com identidade, aplicação, localização, horário e nível de autorização.

John Kindervag, criador do conceito de Zero Trust, resumiu a lógica: “O Zero Trust parte do princípio de que os invasores eventualmente encontrarão uma forma de entrar. A questão crítica é até onde eles conseguirão avançar uma vez que estejam dentro”.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Ebook-Acoes-Desktop.webp

A metodologia prevê cinco etapas: definir os dados e sistemas mais importantes, mapear os fluxos de comunicação, criar uma arquitetura de proteção, estabelecer regras de acesso e monitorar continuamente o ambiente.

O que o investidor deve observar

Os dados sugerem que confiança elevada não significa necessariamente preparo operacional. A fadiga de alertas, a falta de visibilidade e a complexidade dos sistemas podem atrasar a resposta justamente quando cada minuto importa.

Ao analisar uma empresa, o investidor pode observar se ela divulga incidentes relevantes, possui planos de continuidade, testa seus sistemas e trata a segurança como parte da gestão de riscos. Também é importante avaliar se a companhia depende de ambientes antigos, fornecedores críticos ou estruturas muito concentradas.

“As organizações brasileiras relatam um nível excepcionalmente alto de confiança em suas capacidades de cibersegurança, mas a confiança, por si só, não garante resiliência”, afirmou David Singer, vice-presidente regional de Vendas da Illumio para a América Latina.

Maíra Telles

Compartilhe sua opinião