Novo dono, velha dívida: Braskem (BRKM5) muda de fase sob pressão

A Braskem (BRKM5) pode até ter virado a página no controle acionário, mas ainda não resolveu o capítulo mais difícil para o investidor: a pressão financeira. Segundo relatório do BTG Pactual, a IG4 assumirá a maior parte da participação da Novonor e passará a dividir o controle da petroquímica com a Petrobras, em um momento de liquidez restrita, maior necessidade de capital de giro e possível recuperação extrajudicial nas próximas semanas.

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Para o BTG, a entrada da IG4 pode ajudar a companhia a atravessar esse cenário mais apertado, mas não muda, por enquanto, a leitura sobre as ações. O banco manteve recomendação neutra para BRKM5, com preço-alvo de R$ 9, abaixo dos R$ 9,43 considerados no relatório, o que implica potencial negativo de 4,6%.

IG4 assume espaço no controle

De acordo com o relatório, a IG4, por meio do fundo Shine I, passará a deter 34,3% das ações totais da Braskem. A Novonor ficará com 4,0%, enquanto a Petrobras seguirá com 36,1%.

Na leitura de controle, a IG4 terá 50,1% das ações votantes, a Petrobras ficará com 47% e os minoritários com 2,9%. Um novo acordo de acionistas entre IG4 e Petrobras já entrou em vigor, prevendo uma divisão de funções entre os sócios.

Segundo o BTG, a IG4 deve cuidar da estratégia e das finanças, enquanto a Petrobras ficará mais ligada à operação. A nova composição do conselho será votada em assembleia marcada para 8 de junho, e a escolha da nova diretoria executiva deve ocorrer depois dessa etapa.

Caixa apertado vira o centro da história

A troca no controle acontece em um momento delicado. O BTG afirma que notícias recentes indicam que a Braskem pode pedir recuperação extrajudicial nas próximas semanas, provavelmente antes do fim de junho, por causa do pagamento de juros de bonds e amortizações de dívida em julho.

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Recuperação extrajudicial é uma negociação com credores feita fora do processo tradicional de recuperação judicial. Em geral, a companhia busca alongar prazos e reorganizar pagamentos para ganhar fôlego financeiro.

No caso da Braskem, o banco avalia que a liquidez segue bastante restrita. A companhia encerrou o primeiro trimestre com caixa de US$ 1,1 bilhão, dentro de uma faixa mínima estimada entre US$ 800 milhões e US$ 1,2 bilhão. Além disso, a alta recente da nafta aumentou a pressão sobre capital de giro e geração de caixa.

O relatório também aponta um desequilíbrio relevante nos prazos: os pagamentos da Braskem a fornecedores são quatro vezes mais curtos que os prazos de recebimento de clientes, o que aumenta a necessidade de caixa em um ambiente de matéria-prima mais cara.

Sem aporte novo, mas com risco no radar

Um aumento de capital parece improvável neste momento, segundo o BTG. Essa leitura reduz o risco de diluição no curto prazo, já que uma emissão de novas ações diminuiria a fatia proporcional dos acionistas atuais.

O banco avalia que a Petrobras não pode elevar sua participação acima de 50%, pois isso poderia fazer a estatal consolidar a dívida da Braskem em seu balanço. Já a IG4, na visão dos analistas, parece mais focada em uma virada operacional do que em uma injeção de capital.

Ainda assim, o BTG vê risco de a petroquímica precisar de linhas adicionais de crédito para financiar suas operações nos próximos meses.

O novo controle muda o comando da Braskem, mas não muda a pergunta principal do mercado: quanto tempo a companhia consegue ganhar sem reforço de capital? Para Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, do BTG Pactual, em tradução livre, “a empresa continua andando em uma linha fina”.

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Maíra Telles

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