China supera carvão com boom solar e eólico e puxa transição
O avanço das fontes limpas redefiniu a paisagem energética global, com a China despontando como principal termômetro dessa virada histórica. Pela primeira vez, a capacidade combinada de energia solar e eólica superou a do carvão no país, um marco decisivo na transição da matriz elétrica e na segurança energética de longo prazo. Esse ponto de inflexão consolida a competitividade tecnológica e acelera a descarbonização.
Em 2025, a capacidade total chinesa alcançou cerca de 3.890 GW. O destaque foi o crescimento de 35% da energia solar, somando 1.200 GW, ao passo que a eólica teve expansão de 23%, totalizando 640 GW. A geração térmica baseada em carvão cresceu apenas 6%, evidenciando uma mudança estrutural no setor e o enfraquecimento relativo das fontes fósseis na composição da oferta.
Projeções indicam continuidade da trajetória
Projeções indicam que fontes renováveis e nucleares poderão representar 63% da matriz elétrica até 2026, apoiadas por políticas industriais, cadeias globais de suprimento e queda persistente de custos. Esse redesenho também melhora a resiliência do sistema e reduz a volatilidade de preços no médio prazo.
Além do impacto ambiental, a transformação funciona como motor econômico. A China alavanca novas frentes industriais, como baterias, veículos elétricos e hidrogênio verde, além de acelerar a infraestrutura de transmissão. Esse ecossistema amplia produtividade, cria empregos qualificados e sustenta uma parcela relevante do crescimento do PIB, com efeitos de transbordamento para outros setores.
No Brasil, a tendência ecoa em escala distinta, porém com convergência estratégica. O setor solar já movimentou mais de R$ 300 bilhões desde o início de sua expansão, consolidando-se como um dos pilares de investimentos em infraestrutura. A atividade gerou mais de 2 milhões de empregos e cerca de R$ 96 bilhões em impostos, refletindo maturidade tecnológica e melhora do ambiente regulatório.
Flexibilidade na gestão de custos
A evolução brasileira inclui diversificação de modelos, unindo geração distribuída, grandes usinas e participação de fundos estruturados. Nesse contexto, o SNEL11 ganha relevância ao conectar investidores à transição energética. Recentemente, o fundo anunciou a aquisição de 20 usinas solares distribuídas em diferentes estados, somando 87,5 MWp e aporte de R$ 436,2 milhões, priorizando previsibilidade de receitas e ativos reais.
Por fim, o funcionamento do mercado livre de energia amplia a eficiência ao permitir negociação direta entre consumidores e fornecedores, ajustando preços, prazos e condições contratuais. O resultado é flexibilidade na gestão de custos, estímulo à concorrência e aceleração de projetos renováveis — elementos que reforçam a posição da China e do Brasil na nova economia de baixo carbono.