Ibovespa sente IPCA-15, cai aos 188 mil e estende sequência negativa
Nesta terça-feira, 28 de abril, o Ibovespa voltou a recuar e encostou na linha dos 188 mil pontos, pressionado pela leitura do IPCA-15 e pelo ambiente externo ainda incerto. O índice fechou em queda de 0,51%, aos 188.618,69 pontos, renovando o menor nível desde o início do mês e emendando a quinta sessão consecutiva de perdas.
O movimento reflete uma combinação de fatores: além do dado de inflação, que voltou a trazer desconforto no cenário doméstico, o mercado segue sensível ao ambiente global, ainda sem sinais claros de resolução para as tensões internacionais. Na semana, o índice acumula queda de 1,11%, reduzindo o ganho do mês para apenas 0,62%.
Ibovespa perde força com inflação e fluxo mais fraco
A leitura do IPCA-15 trouxe um novo elemento de cautela para o mercado, reforçando preocupações com o impacto da inflação sobre juros e atividade econômica. O dado, pressionado principalmente por alimentos e combustíveis, voltou a afetar a percepção sobre o ambiente doméstico.
Bruno Perri, da Forum Investimentos, observa que o recuo do mercado faz parte de um movimento mais amplo de correção após os recordes recentes. Segundo ele, o Ibovespa aprofunda esse ajuste em meio ao cenário externo ainda indefinido e às oscilações nos preços de commodities, enquanto o mercado global acompanha sinais de novas tentativas de negociação envolvendo Estados Unidos e Irã.
Ao mesmo tempo, o comportamento do fluxo segue no radar. De acordo com análise de Marcos Praça, da ZERO Markets, o investidor estrangeiro continua sendo o principal suporte para a bolsa, mas em ritmo mais moderado do que no início do ano. Já o investidor local segue migrando para renda fixa, aproveitando o patamar elevado da Selic, o que limita o potencial de recuperação no curto prazo.
Cotação do dólar hoje
O dólar operou de lado na sessão, refletindo forças opostas entre o cenário externo e o doméstico.
De acordo com Bruno Shahini, da Nomad, o movimento foi marcado por um equilíbrio entre vetores macroeconômicos. Enquanto a abertura dos juros das Treasuries e a valorização do DXY deram suporte à moeda americana, no Brasil o IPCA-15 abaixo do esperado ajudou a aliviar a curva de juros local, que chegou a se descolar do movimento externo.
Esse conjunto de fatores resultou em um câmbio mais estável, em um ambiente de menor convicção por parte dos investidores.
No exterior, as bolsas encerraram o dia em queda:
O desempenho reflete a continuidade da cautela global, em meio à ausência de avanços concretos no cenário internacional.
Ajuste continua e mantém mercado em compasso de espera
Apesar de alguns destaques positivos pontuais, o movimento predominante segue sendo de correção, com pressão mais forte sobre setores ligados ao ciclo doméstico, como varejo e construção civil.
Perri também destaca que, mesmo com sinais de otimismo vindos do exterior — como a temporada de balanços nos Estados Unidos e novas tentativas de negociação no Oriente Médio —, o mercado local ainda sente o impacto da inflação e das incertezas globais, o que mantém o ambiente mais sensível.
Nesse contexto, o Ibovespa permanece em trajetória de ajuste no curto prazo, com investidores aguardando novos sinais sobre inflação, juros e cenário externo antes de retomar posições com maior convicção.