SLC Agrícola (SLCE3) tem preço-alvo elevado pelo BB-BI, mas recomendação neutra é mantida
A SLC Agrícola (SLCE3) teve o preço-alvo elevado pelo BB Investimentos, que passou de R$ 18,40 para R$ 21,90. Apesar da elevação, a casa manteve uma recomendação neutra para os papéis.
O novo relatório do BB-BI sobre as ações da SLC considera os resultados recentes da empresa e incorpora novas premissas macroeconômicas. Para a analista Georgia Jorge, que assina o relatório, as incertezas causadas pelo conflito no Oriente Médio devem pressionar a rentabilidade da companhia em 2026 e 2027.
“Se, por um lado, vemos uma dinâmica de preços internacionais mais favoráveis para as commodities agrícolas negociadas pela SLC Agrícola, além da expectativa de boas produtividades no campo, por outro lado, os preços dos grãos nos portos e o forte incremento do custo dos fertilizantes após o início do conflito no Oriente Médio devem pesar sobre a rentabilidade de 2026 e 2027”, destaca o relatório.
Por outro lado, a revisão do preço-alvo reflete, principalmente, a melhora recente nos resultados operacionais da companhia, impulsionada pela safra 2024/25. No período, a SLC registrou forte geração de caixa operacional, beneficiada pelo desempenho de culturas como soja, milho e algodão. Ainda assim, o fluxo de caixa livre permaneceu pressionado diante do elevado nível de investimentos realizados ao longo do ano.
Safra 2025/26 traz cenário positivo para a SLC (SLCE3)
Para a safra 2025/26, o BB-BI destacou que a SLC Agrícola projeta uma forte expansão das operações. A área plantada foi elevada em 13,8% na comparação anual, totalizando cerca de 837 mil hectares, com destaque para a soja, que segue como principal cultura da companhia.
Segundo a casa, os primeiros sinais da safra são positivos. A produtividade da soja já aparece levemente acima das estimativas iniciais, enquanto o algodão de primeira safra apresenta bom potencial produtivo. Por outro lado, a companhia optou por reduzir parte da área de algodão de segunda safra, diante de um plantio fora da janela ideal.
Apesar do cenário operacional mais favorável, o avanço dos custos segue como um ponto de atenção. O custo médio por hectare deve crescer na nova safra, refletindo, principalmente, a alta dos insumos agrícolas, com destaque para fertilizantes, impactados pelo cenário geopolítico.
Além disso, na visão do BB-BI, o ambiente para as commodities agrícolas segue misto, o que também pressiona as ações da SLC Agrícola (SLCE3). Enquanto os preços internacionais, especialmente da soja, encontram suporte em uma demanda mais aquecida, impulsionada, entre outros fatores, por mudanças nas políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos, os preços observados no mercado doméstico não acompanham a mesma dinâmica.