O próximo salto da Embraer (EMBJ3) pode vir do céu: mercado debate novo avião
Mesmo após um ciclo forte de valorização na Bolsa, a Embraer (EMBJ3) voltou a chamar atenção dos investidores nesta quinta-feira (12), desta vez com movimento negativo nas ações. Por volta das 11h28, os papéis da fabricante brasileira recuavam cerca de 5,1%, negociados a R$ 79,70, após terem aberto o dia próximos de R$ 82,91.
A queda ocorre em meio a um momento de transição na tese de investimento da companhia. Depois de dois anos marcados por forte recuperação operacional e avanço das ações, analistas avaliam que a empresa entra agora em uma nova fase, mais focada na execução de pedidos e entregas de aeronaves.
Segundo relatório do BTG Pactual, essa mudança pode gerar cautela no mercado no curto prazo, mas não altera os fundamentos da fabricante.
“Após um ciclo forte de crescimento — impulsionado principalmente pela reconstrução do backlog e pela recuperação da rentabilidade — a Embraer agora entra em uma fase mais centrada na execução e nas entregas”, afirmam os analistas.
Um dos anos mais fortes da história da Embraer
O relatório destaca que 2025 foi um dos anos mais robustos da história recente da companhia, com avanços relevantes em pedidos, entregas e resultados financeiros.
Segundo os analistas, a empresa terminou o ano com números acima do guidance em receitas, margens e geração de caixa, além de cumprir as metas previstas para entregas de aeronaves.
“A Embraer teve um dos anos mais fortes de sua história em diversas dimensões, incluindo pedidos, entregas e desempenho financeiro”, destaca o relatório.
O desempenho ocorreu mesmo com impactos externos relevantes. De acordo com o BTG, a companhia absorveu cerca de US$ 80 milhões em custos relacionados a tarifas comerciais, sem comprometer a evolução da rentabilidade.
Para os próximos anos, a expectativa é que a fabricante continue ampliando as entregas e mantendo a trajetória de melhora operacional.
Defesa e novos projetos entram no radar
Outro fator que sustenta a visão positiva sobre a empresa é o potencial da divisão de defesa.
Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e aumento do gasto militar, aeronaves como o KC-390 Millennium tendem a ganhar espaço em programas de modernização de forças aéreas.
“O KC-390 continua bem posicionado para expandir sua presença internacional, especialmente entre membros da OTAN”, apontam os analistas.
A empresa também segue discutindo oportunidades de parcerias estratégicas em mercados como Estados Unidos e Índia.
O debate sobre um novo avião
Um dos pontos que mais tem chamado atenção de investidores envolve a possibilidade de a Embraer desenvolver um novo programa de aeronave nos próximos anos.
Projetos desse tipo exigem investimentos bilionários e anos de desenvolvimento, o que costuma gerar cautela no mercado. Ainda assim, analistas destacam que ciclos de novos aviões fazem parte da dinâmica da indústria aeroespacial.
“Novas plataformas são o mecanismo pelo qual fabricantes preservam relevância competitiva e garantem ciclos de monetização por décadas”, afirma o relatório.
Nesse contexto, a fabricante brasileira estaria em uma posição mais confortável para avaliar um novo projeto, já que seus principais programas atuais já estão em fase madura e gerando caixa.
Com plataformas consolidadas, portfólio diversificado e balanço mais sólido, analistas avaliam que a companhia pode estar melhor preparada para iniciar um novo ciclo estratégico.
Mesmo com a recente volatilidade das ações, a EMBJ3 segue sendo vista como uma história de crescimento relevante dentro do setor aeroespacial global.