Gestoras veem ciclo de inovação em ETFs; saiba as tendências
A indústria de ETFs no Brasil continua em expansão e, além do crescimento em patrimônio e número de investidores, o mercado também vive um ciclo de inovação em produtos, metodologias e estratégias. Gestoras avaliam que os próximos anos devem ser marcados por novos lançamentos voltados à renda fixa, diversificação internacional, soluções híbridas e estratégias baseadas em fatores.
Para Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas da Itaú Asset, a inovação está diretamente ligada à construção de portfólios mais eficientes.
“Nosso propósito segue sendo buscar produtos que resolvam problemas reais do investidor”, afirma.
Segundo ele, o foco da casa para 2026 envolve soluções que ampliem o uso estratégico da renda fixa, da diversificação internacional e de estruturas que simplifiquem decisões complexas de alocação.
Na Investo, o analista Danilo Moreno destaca que o mercado brasileiro ainda está em estágio inicial quando comparado a mercados mais maduros, o que abre espaço para expansão da oferta de produtos.
“O objetivo é oferecer instrumentos mais eficientes para construção de portfólio, combinando simplicidade operacional, transparência e baixo custo”, afirma, ressaltando que ETFs de renda fixa devem ganhar protagonismo nos próximos anos.
Já Andrés Kikuchi, diretor de investimentos da Nu Asset, afirma que os lançamentos seguem a lógica de resolver necessidades reais de alocação.
“Não criamos ETFs por criar. Temos três ou quatro novas soluções em estágios avançados de desenvolvimento que seguem essa filosofia de asset allocation”, diz.
Produtos recentes ganham tração entre investidores
Entre os ETFs que mais atraíram recursos recentemente, Eid destaca produtos que combinam diversificação e eficiência de alocação, como o SPXR11 (S&P 500 + Tesouro Selic), com quase R$ 4 bilhões em patrimônio, além de ETFs de renda fixa como LFTI11, B5P211, IMAB11 e IDKA11.
No segmento de renda variável e ativos alternativos, ele cita ainda os ETFs de dividendos DIVO11 e DIVD11, o ETF de tecnologia TECK11 e o GLDI11, que combina ouro e Tesouro Selic.
“O desafio continua sendo mostrar ao investidor que a beleza está na composição de um portfólio equilibrado, e não na concentração em um único ETF”, afirma.
Na Investo, Moreno destaca o crescimento do LFTB11, que atingiu cerca de R$ 2,5 bilhões em patrimônio em menos de um ano e meio, refletindo a demanda por produtos de renda fixa com eficiência tributária.
Ele cita também o BEST11, focado em setores perenes da economia, e o UTLL11, ETF de utilities que rapidamente se tornou um dos maiores da casa.
“Esses produtos cresceram rapidamente porque resolvem demandas claras de alocação dos investidores”, afirma.
Na Nu Asset, Kikuchi aponta a boa recepção de ETFs de crédito e renda fixa, como o HYBR11, com exposição a crédito global hedgeado, e o NLFA11, baseado em critérios rigorosos de qualidade de crédito e tributação eficiente.
“O desafio tem sido educacional: explicar esses benefícios técnicos de forma acessível ao mercado amplo”, diz.
Temas promissores para os próximos anos
Olhando para os próximos 12 a 24 meses, as gestoras convergem na avaliação de que renda fixa, diversificação global e soluções híbridas devem liderar os lançamentos.
Eid destaca a importância de produtos que ampliem a descorrelação das carteiras, como o BIT11 e o GLDI11, além de estratégias internacionais como SPXR11, TECK11 e soluções híbridas como GOAT11, que combinam diversificação global e renda fixa local.
“Esses ETFs ajudam o investidor a construir portfólios mais equilibrados”, afirma.
Moreno aponta que ETFs híbridos, que combinam diferentes classes de ativos em um único veículo, devem ganhar espaço, assim como produtos de renda fixa que possam capturar tanto o carrego quanto ganhos de marcação a mercado em ciclos de queda de juros. Ele também vê espaço para maior expansão das estratégias internacionais disponíveis na B3.
Kikuchi, por sua vez, destaca que o avanço dos ETFs permitirá acesso a exposições antes restritas a grandes investidores, como estratégias de crédito global e soluções baseadas em Letras Financeiras, citando produtos como HGBR11, HYBR11 e NLFA11 como exemplos dessa evolução.
Lacunas ainda existentes no mercado
Apesar do crescimento acelerado, as gestoras avaliam que ainda existem oportunidades importantes de desenvolvimento. Para Moreno, há espaço relevante para ETFs de crédito privado e renda fixa bancária, à medida que a liquidez desses mercados aumenta. Ele também vê potencial para expansão dos ETFs híbridos, que simplificam a construção e o rebalanceamento de carteiras.
Kikuchi acredita que a principal lacuna está na adoção institucional dos ETFs no Brasil. “Quando os investidores institucionais incorporarem ETFs como ferramenta estratégica de alocação, veremos um salto qualitativo e quantitativo na indústria”, afirma.
Já Eid aponta que o avanço do mercado passa também por educação financeira e pela construção de soluções que ajudem o investidor a tomar decisões melhores.
“A principal lacuna não é a ausência de produtos, mas a ausência de estrutura clara para tomada de decisão. ETFs podem evoluir justamente nesse papel”, diz.
Com o crescimento da demanda por diversificação, eficiência de custos e soluções prontas de alocação, a expectativa das gestoras é de que os próximos anos consolidem os ETFs como uma das principais ferramentas de investimento do mercado brasileiro, impulsionando tanto inovação quanto sofisticação das carteiras.