Ibovespa começa 2026 em queda após rali de 2025; frigoríficos pressionam índice

Ibovespa iniciou o ano de 2026 em terreno negativo nesta sexta-feira (2), em um movimento de acomodação após o forte rali registrado ao longo de 2025. Depois de avançar cerca de 34% no ano passado, o melhor desempenho desde 2016, o principal índice da B3 recuou 0,36%, aos 160.538,69 pontos, pressionado sobretudo pelas ações de frigoríficos, após a China impor cotas às importações de carne bovina.

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Ao longo do pregão, o índice oscilou entre a mínima de 160.059,14 pontos e a máxima de 161.956,56 pontos, após abrir aos 161.124,36 pontos. O volume financeiro somou R$ 24,0 bilhões, considerado elevado para uma sessão encurtada entre o feriado de Ano Novo e o fim de semana.

Frigoríficos lideram perdas após decisão da China

A principal pressão sobre o índice veio do setor de proteína animal. As ações da Minerva lideraram as perdas do pregão, com queda de 6,77%, refletindo a maior exposição da companhia ao mercado chinês. A decisão de Pequim de estabelecer uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira afetou diretamente a percepção de risco para o setor.

Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a reação negativa reflete o peso da China como principal destino das exportações brasileiras. Ele lembra que, até novembro, o Brasil havia embarcado cerca de 1,5 milhão de toneladas, acima do volume agora estipulado. Para Cruz, apesar da possibilidade de redirecionamento para outros mercados, a notícia é negativa no curto prazo, especialmente para empresas mais dependentes do país asiático.

Petrobras cai e bancos sentem desconforto

Além dos frigoríficos, o pregão também foi negativo para alguns dos principais pesos do índice. As ações da Petrobrasrecuaram, com a ON em queda de 0,83% e a PN de 0,36%. No setor financeiro, de maior peso no Ibovespa, o desempenho foi misto: o Banco do Brasil ON caiu 1,09%, enquanto Bradesco ON conseguiu avançar 0,26%, após uma abertura positiva para o segmento.

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Outro tema acompanhado de perto pelo mercado foi o chamado caso Master. A inspeção, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de documentos em poder do Banco Central relacionados ao banco gerou desconforto no setor financeiro. O receio é de que haja interferência institucional em uma decisão técnica de liquidação, considerada pelo regulador como necessária diante da situação da instituição.

Vale ajuda a limitar perdas; altas e baixas do dia

Principal ação do Ibovespa, a Vale oscilou ao longo do dia, mas fechou em alta de 0,58%, ajudando a mitigar uma queda mais intensa do índice.

Na ponta positiva do pregão, destaque para Pão de Açúcar (+4,21%)SLC Agrícola (+3,67%) e CVC (+1,85%). No lado oposto, além da Minerva, figuraram entre as maiores baixas Cyrela (-3,77%)Direcional (-3,47%) e Natura (-3,36%).

Para Guilherme Falcão, sócio da One Investimentos, apesar da pressão concentrada nos frigoríficos, o Ibovespa conseguiu sustentar o patamar dos 160 mil pontos nesta primeira sessão do ano. Segundo ele, no quadro mais amplo, a reversão do fluxo estrangeiro observada em 2025 e a expectativa de queda dos juros ao longo de 2026 mantêm uma perspectiva positiva para a Bolsa, com a atenção tendendo a se voltar para ações de perfil mais agressivo após o forte desempenho das empresas defensivas no ano passado.

Com Estadão Conteúdo

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Redação Suno Notícias

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