No apagar das luzes de novembro, Ibovespa flerta com 160 mil e fecha mais um mês histórico
No último dia útil de novembro, o Ibovespa preferiu encerrar o mês em clima de festa: subiu 0,45%, marcou 159.072,13 pontos, beliscou o patamar histórico dos 160 mil e confirmou novembro como o melhor período desde agosto. A sessão, de giro reacelerado após o feriado norte-americano, colocou mais uma vez o índice no centro das atenções por seguir acumulando recordes até “os 45 do segundo tempo” de novembro.
O dia começou em 158.357,61 pontos, bateu mínima de 158.077,66, segurou firme os 158 mil e, à tarde, buscou nova máxima intradia em 159.689,03 pontos, a maior da história. O volume negociado alcançou R$ 25,2 bilhões.
Para Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos, o dia mostrou força mesmo em condição adversa: “Ibovespa nos incríveis 159 mil pontos mesmo com avanço da curva de juros futuros, impulsionado por bancos e commodities à exceção de Petrobras.”
Empresas: Petrobras vai na contramão; bancos e Vale sustentam o índice
Apesar do brilho do índice, Petrobras pesou negativamente após a divulgação do Plano de Negócios 2026-2030. O mercado reagiu à redução de Capex — positiva em tese —, mas acompanhada por dúvidas sobre ;dividendos</strong> e por cortes mais concentrados no longo prazo, não no curto, onde parte dos investidores esperava ajustes.
- Petrobras ON: -2,45%
- Petrobras PN: -1,88%
Na outra ponta, Vale ON subiu 1,61%, reforçando o bloco de commodities, enquanto o setor financeiro — o mais pesado do índice — ajudou a empurrar o Ibovespa, com Itaú PN em alta de 2,28%.
Altas do dia
- Natura: +4,54%
- MRV: +3,33%
- Yduqs: +2,79%
Quedas do dia
- Assaí: -6,06%
- Hapvida: -6,00%
- C&A: -5,03%
Novembro termina com salto e dólar mais fraco
No acumulado semanal, o índice avançou 2,78%, revertendo a queda de 1,88% da semana passada. No mês, a valorização chegou a 6,37%, superando inclusive o ciclo de 12 pregões consecutivos de recordes entre 27 de outubro e 11 de novembro.
Convertido em dólares, o Ibovespa subiu a 29.817,82 pontos, perto da marca simbólica dos 30 mil, ajudado pela queda de 0,85% do dólar, que terminou novembro cotado a R$ 5,3348.
Ainda assim, o índice segue longe do topo histórico em dólares de julho de 2008 — quando teria de se aproximar dos 240 mil pontos para repetir o patamar daquele período, ajustado ao câmbio da época.
Gabriel Mota de Souza, da Manchester Investimentos, reforça que o plano estratégico da estatal frustrou quem aguardava cortes mais imediatos no Capex e lembra que o momento é delicado, com o Brent em torno de US$ 63 nos contratos mais líquidos.
Mesmo com ruídos em Petrobras e sinais de cautela para a semana que vem, o Ibovespa encerra novembro reafirmando seu protagonismo no mercado brasileiro, e garantindo que o último dia útil do mês não passaria despercebido.
Com informações da Agência Estado