Investimentos em renda fixa para 2023: saiba quais são eles

Com a chegada de um novo ano, muitos investidores passam a pesquisar sobre as oportunidades de investimento que existem no mercado financeiro. Dessa forma, é comum surgir o questionamento sobre quais são as melhores opções de investimentos em renda fixa para 2023.

Vale destacar que essa dúvida é muito relevante, já que, com uma inflação acelerada e uma forte elevação promovida nas taxas de juros, a atratividade dessa classe de ativos – já bastante popular entre os brasileiros – aumenta.

Quais são os melhores investimentos em renda fixa para 2023?

Em um cenário de inflação acima da meta do Banco Central e de juros com mais de dois dígitos para 2023, a atratividade da renda fixa volta aos holofotes.

Com isso, é preciso estudar as oportunidades que o mercado proporciona para encontrar os melhores investimentos dessa classe para 2023.

Antes disso, devemos resgatar o passado macroeconômico recente do Brasil. Isso porque existem muitos investidores iniciantes, que começaram na jornada dos seus investimentos nos últimos 2 ou 3 anos, e se depararam com taxas de juros mais baixas.

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Todavia, esse foi um tempo atípico para os investidores de renda fixa, já que a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia, ficou extremamente baixa se comparada com o seu histórico.

Na prática, a taxa caiu de 6,50% ao ano (durante o governo Temer), e chegou até 2,00% ao ano, abaixo da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – resultando em um rendimento real negativo.

Após alguns meses mantendo-se nesse patamar, a taxa Selic voltou a subir a partir de março/2021, chegando novamente próxima à casa dos dois dígitos ao final do ano.

Investimentos em renda fixa para 2023

Considerando o alto nível da taxa básica de juros e o cenário macroeconômico que vivemos, é preciso conhecer algumas das melhores opções de investimentos em renda fixa para 2023. Dessa forma, os investidores estarão preparados para integrar bons ativos em sua carteira de investimentos.

Abaixo, portanto, listamos os melhores investimentos em renda fixa para 2023:

  • Tesouro Selic.
  • Tesouro IPCA+.
  • Títulos bancários (CDB/LCI/LCA).
  • ETFs de Renda Fixa.
  • Fundos de Infraestrutura (FI-Infra).

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Tesouro Selic

O primeiro investimento de renda fixa para o próximo ano é o Tesouro Selic. Basicamente, como o seu próprio nome diz, esse título possui rendimento atrelado à taxa Selic, a taxa básica de juros brasileira.

Por ser um título público pós-fixado, o Tesouro Selic é diretamente impactado pelas decisões de movimentação de juros promovidas pelo Banco Central (Bacen). Assim, quando a autoridade monetária eleva os juros, por exemplo, o rendimento do título aumenta. O contrário também é verdadeiro: quando os juros reduzem, o rendimento do Tesouro Selic cai.

Para 2023, existem diversos fatores que corroboram para a manutenção da taxa Selic em patamares altos e, consequentemente, beneficiando o rendimento do Tesouro Selic. Entre esses fatores estão:

  • Elevação do risco fiscal.
  • Possibilidade de aumento da inflação.
  • Fortalecimento do dólar frente ao real.

Com o aumento do risco fiscal do país, os investidores passam a exigir um retorno maior para emprestar seus recursos para o governo (Tesouro Nacional). Essa situação faz com que o Bacen precise elevar a taxa Selic.

Além disso, o dólar e a inflação mais altos também são afetados pelos juros. Nesse sentido, com a elevação das taxas, o câmbio tende a depreciar e a inflação, a reduzir.

Considerando esse cenário, diversos economistas – e o próprio Bacen – já sinalizam uma taxa Selic acima dos dois dígitos para 2023. Assim, surge a oportunidade para os investidores aplicarem neste título, considerado o mais seguro do nosso país.

Tesouro IPCA+

Além do Tesouro Selic, outro título público que pode estar entre os melhores investimentos de renda fixa em 2023 é o Tesouro IPCA+. Assim como seu nome já sugere, esse título está atrelado ao índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA.

O Tesouro IPCA+ costuma ser interessante para aqueles investidores que buscam um retorno financeiro real, acima da inflação. Esse fator se torna bastante relevante no cenário atual (possibilidade de inflação mais elevada), ainda mais se considerarmos o histórico brasileiro.

Uma grande vantagem ao investir no Tesouro IPCA+, é que os investidores saberão exatamente o quanto seu dinheiro terá de rendimento real até a data de vencimento. Por exemplo:

  • Tesouro IPCA+ 2026: pagará 5,95% de rendimento real anualmente até 15/08/2026 (posição em 02/12/2022).
  • Tesouro IPCA+ 2035: pagará 5,84% de rendimento real anualmente até 15/05/2035 (posição em 02/12/2022).

Obviamente, o rendimento nominal será maior que 5,95% ou 5,84%. Contudo, o retorno desses títulos públicos garante uma taxa de juros real.

Vale ressaltar que o Tesouro IPCA+ é impactado pela marcação a mercado, que ajusta os preços dos títulos diariamente de acordo com a curva de juros projetada pelo mercado. No entanto, por serem ativos de renda fixa, os rendimentos contratados na data de aplicação estarão garantidos se mantidos até o vencimento do título.

RENDA FIXA

Títulos bancários (CDB/LCI/LCA)

Além dos títulos públicos, outra opção de ativos selecionada dentre os melhores investimentos de renda fixa em 2023 são os títulos bancários. Isto é, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) – todos emitidos por instituições financeiras.

A vantagem desses títulos em relação aos papéis emitidos pelo governo (títulos públicos) é que, por serem mais arriscados, também apresentam, na média, um retorno mais elevado. Afinal de contas, conforme dito pelo brilhante investidor Howard Marks:

“Quanto maior o risco, maior a possibilidade de retorno.”

Howard Marks

Nesse ponto, muitos investidores devem se questionar por que os títulos emitidos por instituições financeiras seriam mais arriscados do que aqueles emitidos pelo governo. Afinal, é sabido que a situação fiscal do Estado não é das melhores.

O motivo disso é que em uma economia, o governo é quase sempre considerado o pagador mais seguro. Isso porque, caso ele não tenha dinheiro para pagar, ele pode elevar os impostos para ter maior arrecadação ou, simplesmente, imprimir moeda para honrar os seus compromissos – o que, obviamente, traria reflexos negativos no futuro.

Por outro lado, as instituições financeiras emissoras de títulos não possuem essas alternativas. Dessa forma, elas são consideradas mais arriscadas do que o governo e, assim, oferecem rendimentos mais altos para atrair os recursos dos investidores.

Na prática, a grande diferença entre os CDBs e as LCIs/LCAs é a isenção de imposto de renda (IR) para os dois últimos. No fim das contas, o risco de crédito acaba sendo equivalente – caso o título seja emitido pela mesma instituição.

Por fim, dentro dos títulos bancários, a tendência é que os pós-fixados (% CDI) e os indexados à inflação (IPCA+) apresentem uma melhor performance para 2023.

ETFs de Renda Fixa

Outra alternativa interessante para 2023 são os ETFs (Exchange-Traded Funds) de renda fixa, que têm o objetivo de acompanhar a rentabilidade de determinado indexador (índice de mercado) ou alguma estratégia de investimento predefinida.

Por característica, os ETFs não possuem data de vencimento. Porém, no caso dos fundos de índice de renda fixa, como todos os ativos da sua carteira têm prazo de vencimento – por serem títulos de renda fixa –, podemos dizer que os ETFs têm um prazo médio (duration).

Com relação à sua tributação, não há incidência de IOF e come-cotas, como nos fundos de investimento tradicionais. As alíquotas aplicáveis ao imposto de renda (IR) variam conforme o prazo médio de repactuação (“PMR”) da carteira de ativos financeiros, que vai de 25% a 15%.

Por seguirem a tendência de um indexador específico – CDI, IMA-B, IRF-M etc. –, entendemos que os ETFs de renda fixa são veículos eficientes para os investidores em 2023.

FI-Infra

Por fim, o último investimento da lista que pode ser uma ótima opção para 2023 são os fundos incentivados de investimento em infraestrutura, mais conhecidos como FI-Infra.

Segundo a B3, o FI-Infra é:

“Uma comunhão de recursos destinados à aplicação em ativos relacionados à captação de recursos para investimento em infraestrutura”.

B3

Um dos motivos para esse tipo de investimento estar se popularizando é sua distribuição periódica de rendimentos.

De forma semelhante aos fundos imobiliários, os FI-Infra estão se adaptando e distribuindo rendimentos mensalmente a seus cotistas, advindos do lucro contábil de sua carteira de debêntures incentivadas.

Outro motivo para o crescimento da categoria é a isenção de impostos. O cotista do FI-Infra não paga imposto no recebimento de rendimentos, tampouco no ganho de capital obtido na alienação da cota no mercado secundário. Isso traz uma grande vantagem tributária.

E então, conseguiu entender mais sobre os ativos selecionados como os melhores investimentos de renda fixa para 2023? Deixe abaixo suas dúvidas e comentários.

Esse conteúdo foi produzido pelo analista: Vinicius Romano.

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    1 comentário

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    • Luiz Lourenço 9 de janeiro de 2023

      O IPCA+ 5,6% com vencimento em 2032 debenture é uma boa opção de investimento?

      Responder