UBS BB vira a mão em Telefônica Brasil (VIVT3) e vê queda nas ações

A Telefônica Brasil (VIVT3) entrou no radar negativo dos analistas nesta semana. O UBS BB realizou um duplo rebaixamento das ações da Telefônica Brasil, dona da Vivo, cortando a recomendação de compra para venda e reduzindo o preço-alvo do papel.

Segundo relatório assinado pelos analistas Leonardo Olmos, Andre Salles e Gustavo Farias, o preço-alvo passou de R$ 37,50 para R$ 36, valor que indica potencial de desvalorização de cerca de 14,5% em relação ao último fechamento.

O movimento reflete uma mudança na avaliação do banco sobre o perfil de geração de caixa e retorno da companhia dentro do setor de telecomunicações na América Latina.

Por que o UBS BB rebaixou VIVT3

De acordo com o banco, o ambiente operacional da Telefônica Brasil ainda é considerado relativamente estável. No entanto, as novas premissas de crescimento, margens e investimentos indicam uma geração de caixa mais fraca que a de empresas comparáveis.

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No cenário traçado pelos analistas, o fluxo de caixa livre (FCF) da companhia deve ficar em torno de 5%, enquanto operadoras comparáveis na América Latina apresentam média próxima de 12%.

Além disso, os analistas destacam que os rendimentos de dividendos e o próprio yield de fluxo de caixa passaram a operar em níveis de um dígito, o que enfraquece o caso de investimento.

“Embora o ambiente operacional para a Telefônica Brasil permaneça relativamente benigno, nossas premissas no cenário-base para crescimento, margens, capex e custos de arrendamento agora apontam para um crescimento de fluxo de caixa livre abaixo dos pares, com viés de baixa”, afirmaram Olmos e equipe.

Crescimento limitado de fluxo de caixa

O UBS BB também avalia que existe um intervalo relativamente estreito para a evolução do fluxo de caixa da companhia nos próximos anos.

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Mesmo em um cenário considerado mais favorável, a projeção indica crescimento entre 4% e 8% no fluxo de caixa livre entre 2025 e 2027, limite que o banco considera o teto possível para a operadora.

Segundo os analistas, o principal risco está nas receitas de serviços móveis, que representam cerca de dois terços das vendas da empresa e apresentam desaceleração estrutural.

“Os riscos de queda vêm principalmente das receitas de serviços móveis, que representam cerca de dois terços das vendas e estão estruturalmente desacelerando em linha com a inflação”, afirmaram os analistas.

Telefônica Brasil fica menos atrativa no setor

Na comparação com operadoras globais, o UBS BB também destaca que a Telefônica Brasil apresenta desempenho inferior em métricas importantes de retorno.

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Segundo o banco, a companhia tem FCF yield de cerca de 7% e carry yield próximo de 12%, indicadores considerados inferiores aos de empresas comparáveis do setor.

“Seus pares negociam com FCF yield mais alto para um carry semelhante, ou entregam carry muito maior para FCF comparável — deixando a Telefônica Brasil cerca de 30% mais cara em base comparável”, afirmaram os analistas.

Após a divulgação do relatório, as ações da VIVT3 chegaram a cair cerca de 7% nos primeiros negócios do pregão, refletindo a reação do mercado ao duplo rebaixamento da recomendação.

O UBS BB afirma que os principais riscos para a recomendação negativa incluem uma eventual reprecificação das empresas de telecom na América Latina, além da possibilidade de maior distribuição de dividendos caso o fluxo de caixa da VIVT3 se mostre mais estável do que o esperado.

Maíra Telles

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