Vento a favor da Vale (VALE3)? BTG aponta cenário positivo e reforça compra

A recente alta do preço do níquel reacendeu o otimismo em relação à Vale (VALE3) e pode abrir espaço para uma reprecificação das ações, segundo relatório do BTG Pactual. O banco avalia que o movimento, ainda pouco percebido pelo mercado, melhora de forma relevante a perspectiva da divisão de metais básicos da companhia.

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Nas últimas semanas, o preço do níquel saltou de cerca de US$ 14 mil por tonelada para mais de US$ 18 mil, uma valorização superior a 25% em um mês. Para o BTG, o avanço chama atenção porque o níquel vinha sendo tratado como um “problema” dentro da Vale, após vários trimestres de EBITDA negativo e queima recorrente de caixa na unidade.

Parte do movimento recente está ligada à Indonésia, responsável por mais de 50% da oferta global de níquel. A incerteza regulatória no país, especialmente em relação ao licenciamento de projetos e à expansão da capacidade produtiva, aumentou a percepção de risco sobre a oferta futura. A proposta da associação local de mineradores de reduzir a produção em 2026 reforçou esse cenário, ainda que não haja decisão formal.

“Estimamos que a unidade de metais básicos da Vale deve representar aproximadamente 15–20% do EBITDA consolidado da companhia”, diz o BTG.

Considerando os preços mais elevados de níquel e cobre, o banco estima um impacto positivo de aproximadamente 8% no EBITDA consolidado, com o resultado da divisão podendo superar US$ 4 bilhões em 2026.

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Investidores não confiam na Vale (VALE3)?

Esse cenário fortalece a tese de que a Vale não deveria negociar como uma empresa puramente de minério de ferro. Atualmente, a ação é avaliada a múltiplos próximos de 4x EV/EBITDA, enquanto pares globais com exposição relevante a metais básicos negociam entre 7x e 10x.

Para o BTG, essa diferença reflete um problema de confiança, que tende a diminuir à medida que a empresa entrega resultados consistentes.

Além do efeito dos preços, a melhora operacional também contribui para o cenário mais construtivo. O programa de eficiência da Vale já gerou economias anuais de cerca de US$ 240 milhões no negócio de níquel, com redução significativa de custos operacionais e de capital. Com isso, a meta de atingir o breakeven de caixa da divisão, inicialmente prevista para 2027, pode ser antecipada.

Diante desse conjunto de fatores, o BTG reiterou recomendação de compra para a Vale (VALE3), com preço-alvo de R$ 80. O banco destaca ainda o elevado retorno em caixa da companhia, com dividend yield próximo de 10% em 2026, e avalia que a melhora nos fundamentos ainda não está totalmente refletida no preço das ações.

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Giovanna Oliveira

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