Usiminas (USIM5) sobe 5%, mas divisão entre bancos levanta dúvida: ainda tem fôlego?

A alta recente da Usiminas (USIM5) ganhou força nesta sexta-feira (17), com as ações subindo mais de 5% mesmo em um dia de queda do Ibovespa. O movimento veio após o Itaú BBA reforçar sua visão positiva para a companhia, elevando o preço-alvo e apostando que o mercado ainda não precificou totalmente mudanças importantes no setor de aço.

O banco reiterou recomendação outperform e passou a ver o papel a R$ 9 até o fim de 2026, o que implica potencial adicional relevante frente aos níveis atuais.

BBA vê impacto estrutural com tarifas e projeta alta adicional

Na leitura do Itaú BBA, as medidas antidumping aplicadas ao aço no Brasil mudaram a dinâmica do setor, ao reduzir a competitividade da China e elevar o piso de preços domésticos.

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Segundo os analistas, esse efeito ainda não foi totalmente capturado pelo mercado. “O impacto deve ganhar tração a partir do terceiro trimestre de 2026”, aponta o relatório.

Mesmo após uma valorização de cerca de 41% desde a última revisão, o banco ainda enxerga potencial adicional de aproximadamente 29% para a Usiminas (USIM5), sustentado por novos reajustes de preços e efeitos que podem se estender até 2027.

O relatório também destaca que o repasse de preços ainda foi parcial, já que distribuidores anteciparam estoques antes da entrada das tarifas, o que tende a acelerar reajustes nos próximos meses.

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Curto prazo ainda pressionado, mas virada pode vir no 2º semestre

Apesar da visão construtiva no médio prazo, o cenário imediato segue desafiador. O BBA projeta um segundo trimestre ainda pressionado, com estabilidade nos resultados, diante do equilíbrio entre preços e custos, especialmente de placas.

No mercado internacional, a mudança de fluxo comercial também reforça a tese. Com tarifas mais altas, compradores passaram a substituir o aço chinês por fornecedores mais caros, como Coreia do Sul e Vietnã, com diferença de até US$ 100 por tonelada.

Mercado dividido: BofA e Safra veem riscos no valuation

Se por um lado o Itaú BBA vê espaço para valorização, outras casas adotam postura mais cautelosa. Recentemente, o Bank of America rebaixou a recomendação da ação para neutro, enquanto o Safra foi além e cortou para venda.

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Para o BofA, apesar do cenário favorável para preços, parte relevante desse movimento já pode estar refletida no valuation. A ação negocia a cerca de 5,3 vezes EV/EBITDA projetado para 2026, nível considerado mais ajustado ao momento.

O Safra, por sua vez, destaca riscos caso os preços não avancem como esperado ou os custos não recuem, já que as projeções atuais já embutem um cenário relativamente otimista.

USIM5 entra em ano de transição com potencial no radar

Na visão do BBA, 2026 deve ser um ano de transição para a companhia, com geração de caixa ainda limitada e múltiplos mais elevados. Já para 2027, o cenário muda, com expectativa de avanço relevante, fluxo de caixa mais robusto e múltiplos mais baixos.

Nesse contexto, a Usiminas (USIM5) se posiciona como uma tese que divide opiniões: enquanto parte do mercado aposta em uma virada sustentada por mudanças estruturais no setor, outra parcela vê riscos de que boa parte desse cenário positivo já esteja precificada.

Maíra Telles

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