O setor de autopeças vive um momento de seleção mais rigorosa na Bolsa, com algumas empresas em ponto de virada e outras ainda dependentes de uma recuperação mais clara do ciclo brasileiro. Em relatório, a XP Research elevou a recomendação da Tupy (TUPY3) de neutra para compra e manteve visão positiva para Marcopolo (POMO4) e Iochpe-Maxion (MYPK3).
A casa também reiterou recomendação neutra para Randoncorp (RAPT4) e Frasle Mobility (FRAS3). Para os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, o posicionamento de cada companhia no ciclo passa a ser cada vez mais importante, em um cenário no qual fatores macroeconômicos têm pesado mais sobre o desempenho relativo das ações do que os próprios fundamentos individuais.
Autopeças: Tupy (TUPY3) ganha recomendação de compra
A principal mudança do relatório foi a elevação da Tupy (TUPY3) para compra, com preço-alvo de R$ 20, o que implica potencial de valorização de 39% sobre a cotação de R$ 14,34 usada no relatório.
A tese considera a recuperação da demanda por caminhões pesados nos Estados Unidos, a entrada de novos contratos no Brasil e no exterior, uma inflexão mais clara dos lucros e avanços recentes de governança. A XP projeta crescimento de 159% no lucro da companhia em 2027, além de múltiplo de 7,1 vezes o lucro estimado para o ano que vem.
Entre as demais recomendações positivas, a Iochpe-Maxion (MYPK3) aparece com o maior potencial de alta, de 47%, com preço-alvo de R$ 13. A tese combina valuation descontado, múltiplo de 4,1 vezes o lucro estimado para 2027 e dividend yield projetado entre 8% e 9%.
Já a Marcopolo (POMO4) tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 8, o que representa potencial de valorização de 44%. A companhia é vista como uma opção de menor risco dentro do setor, apoiada por valuation descontado, dividendos em patamar elevado e balanço confortável.
Randoncorp (RAPT4) e Frasle (FRAS3) ficam para trás
Na outra ponta, a XP mantém cautela com Randoncorp (RAPT4) e Frasle Mobility (FRAS3), ainda que por motivos diferentes.
No caso da Randoncorp (RAPT4), os analistas afirmam que ainda não enxergam uma inflexão clara de lucros. Juros elevados seguem pressionando a demanda por caminhões e implementos, enquanto as despesas financeiras continuam pesando no resultado. A recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 5 e potencial de alta de 13%.
Para Frasle Mobility (FRAS3), a XP reconhece a resiliência do negócio de reposição e o histórico de integração de aquisições, mas avalia que os múltiplos atuais, entre cerca de 17 e 13 vezes o lucro estimado para 2026 e 2027, não oferecem margem de segurança confortável. O preço-alvo é de R$ 20, com potencial de alta de apenas 4%.
No cenário macro, a XP vê melhora nos indicadores de caminhões pesados nos Estados Unidos, o que favorece nomes expostos ao ciclo externo, como Tupy (TUPY3). No Brasil, porém, a leitura ainda é de recuperação incompleta, com veículos pesados dependentes de crédito subsidiado e juros ainda altos.
Para o investidor em autopeças, a preferência da XP está em empresas com vetores externos, balanços mais limpos e maior visibilidade de desalavancagem. Nesse ranking, Tupy (TUPY3), Marcopolo (POMO4) e Iochpe-Maxion (MYPK3) aparecem como as favoritas, enquanto Randoncorp (RAPT4) e Frasle Mobility (FRAS3) seguem em compasso de espera.
