Dólar, juros americanos e pagamentos mensais em um único ativo. Essa é a proposta do TBIL39, BDR de ETF negociado na B3 que dá acesso a títulos públicos dos Estados Unidos com vencimentos entre um e três meses. Segundo relatório da Eleven Financial Research, o produto pode funcionar como uma alternativa para quem busca exposição à renda fixa americana com baixo risco de crédito e pouca sensibilidade às oscilações dos juros.
O TBIL39 representa, no mercado brasileiro, o Global X 1-3 Month T-Bill ETF, negociado nos Estados Unidos pelo ticker CLIP. O fundo acompanha o índice Solactive 1-3 Month US T-Bill Index e investe em títulos de curtíssimo prazo emitidos pelo Tesouro americano. A taxa de administração é de 0,07% ao ano.
Como funciona o TBIL39?
As T-Bills são títulos emitidos pelo governo dos Estados Unidos para captar recursos por períodos curtos. No caso do fundo que serve de lastro ao TBIL39, os papéis possuem vencimento remanescente de pelo menos um mês e inferior a três meses.
Como o dinheiro é emprestado ao governo americano por pouco tempo, o risco de crédito é considerado baixo. O prazo reduzido também limita a chamada marcação a mercado, que é a oscilação no preço dos títulos provocada pelas mudanças nas taxas de juros.
De acordo com a Global X, a duração modificada da carteira era de apenas 0,07 em 22 de setembro, enquanto o retorno até o vencimento estava em 4,02%. Todos os ativos eram classificados como títulos governamentais.
Na B3, cada BDR representa uma fração da cota do ETF negociado nos Estados Unidos. O investidor compra o TBIL39 em reais por meio da corretora, sem precisar abrir uma conta no exterior. A cotação, entretanto, acompanha tanto o desempenho dos títulos quanto a movimentação do dólar.
Segundo Fernando Siqueira, CFA e autor do relatório da Eleven, “o TBIL39 é um excelente ativo para investir em renda fixa americana e se proteger da variação cambial”.
Juros dos EUA podem elevar os proventos
O retorno do TBIL39 possui três componentes principais: os juros pagos pelas T-Bills, a variação do câmbio e os proventos distribuídos pelo fundo.
A Eleven destaca que a recente alta dos juros americanos favorece o chamado carrego da carteira. Em setembro, o Federal Reserve elevou a taxa básica dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. O movimento aumenta gradualmente a remuneração dos títulos adquiridos pelo ETF.
Como as T-Bills vencem rapidamente, o fundo consegue reinvestir os recursos em novos papéis com taxas maiores. Para a casa de análise, esse mecanismo permite capturar a alta dos juros com impacto limitado da marcação a mercado.
O TBIL39 vem distribuindo proventos mensalmente. Nos 12 meses analisados pela Eleven, os pagamentos variaram entre R$ 0,10 e R$ 0,13 por BDR, enquanto o retorno mensal ficou próximo de 0,20% a 0,24%.
Com a elevação dos juros nos Estados Unidos, a casa estima que os proventos possam voltar ao intervalo entre 0,25% e 0,30% ao mês no curto prazo. Caso as taxas das T-Bills se aproximem de 5% ao ano, o rendimento distribuído pelo TBIL39 poderia chegar perto de 4% ao ano, já considerado o imposto retido nos Estados Unidos.
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Câmbio também pode reduzir o retorno
Apesar do baixo risco de crédito dos títulos, o TBIL39 não está livre de oscilações. Para o investidor brasileiro, o dólar exerce influência direta sobre a rentabilidade.
Se a moeda americana subir diante do real, o movimento pode aumentar o valor do investimento em reais. Se o dólar cair, a perda cambial pode reduzir ou até superar a renda gerada pelas T-Bills.
Esse efeito aparece no histórico apresentado pela Eleven. Até 16 de setembro, o TBIL39 acumulava queda de 11,63% em 2026 e recuo de 2,98% em 12 meses, mesmo mantendo os pagamentos mensais. Segundo o relatório, o desempenho foi pressionado principalmente pela valorização do real.
A casa avalia que a diferença entre os juros brasileiros e americanos ainda favorece a moeda brasileira, mas tende a diminuir à medida que os Estados Unidos elevam as taxas e o Brasil reduz a Selic.
Assim, o TBIL39 pode facilitar o acesso à renda fixa americana e oferecer proventos mensais, mas o resultado em reais continuará dependendo dos juros dos Estados Unidos, da cotação do dólar, da tributação e dos custos da estrutura do BDR.
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