RZTR11: FII pode reduzir dividendos depois de impacto de calote?
O RZTR11 (Riza Terrax FII) antecipa uma possível queda nas distribuições nos próximos meses após a inadimplência do arrendatário da Fazenda Bom Jardim, em Montividiu (GO). A rescisão do contrato projeta perda de R$ 5,6 milhões em receitas entre 30 de abril e 31 de dezembro de 2026, com impacto aproximado de R$ 0,30 por cota.
De acordo com o relatório gerencial de julho, a parcela do arrendamento com vencimento em 30 de abril não foi quitada. O fundo enviou notificação extrajudicial e concedeu o prazo contratual para a regularização, mas os valores permaneceram pendentes.
Quer conferir notícias de finanças em tempo real, direto do seu WhatsApp, de maneira gratuita? Clique e confira a nova comunidade de notícias da Status Invest.
Diante do descumprimento, o contrato foi rescindido e a opção de compra outorgada aos arrendatários foi automaticamente extinta. O prazo para devolução da posse do imóvel ao fundo se encerrou em 22 de junho, e a gestão, com assessoria jurídica, adota medidas para a retomada da posse e a cobrança dos montantes devidos.
A estimativa de perda de R$ 5,6 milhões considera o período de 30 de abril a 31 de dezembro de 2026. O cálculo tem como base a receita anual de R$ 8,4 milhões prevista no contrato da Fazenda Bom Jardim.
A interrupção dos pagamentos relativos ao arrendamento da Fazenda Bom Jardim reduz a receita recorrente esperada para o semestre. Esse efeito sustenta a revisão das projeções de distribuição comunicada pela gestão no documento.
Dividendos do RZTR11 podem cair
Com menor fluxo de recebimentos esperado no segundo semestre, a administração revisou para baixo a projeção de dividendos. O fundo pagou R$ 0,90 por cota em julho, repetindo junho, após ter distribuído R$ 1,00 por cota em maio.
“A gestão esclarece que poderá haver uma redução no valor das distribuições ao longo do próximo semestre, em função da menor expectativa de fluxo de recebimentos recorrentes do fundo nesse período”, diz o relatório.
O gráfico de projeções indica faixa entre R$ 0,80 e R$ 1,00 por cota para agosto e setembro. Não há valores projetados no documento para os meses subsequentes.
Paralelamente, há tratativas com potenciais compradores tanto dos imóveis enquadrados na estratégia de Land Equity quanto da própria Fazenda Bom Jardim. Segundo a gestão, alienações eventuais podem gerar ganhos de capital realizados, reforçar o caixa e abrir espaço para distribuições maiores adiante.
Patrimônio do RZTR11 pode aumentar
No campo patrimonial, a Fazenda Bom Jardim passa por processo de remarcação de valor. O ativo está registrado por R$ 60 milhões, enquanto laudo independente da S&P Global, de junho de 2025, apurou valor de liquidação de R$ 82,127 milhões.
Caso a remarcação ocorra para esse patamar, o efeito estimado é positivo em cerca de R$ 22,1 milhões, ou R$ 1,17 por cota, de acordo com a gestão. Esse ganho não havia sido reconhecido no patrimônio líquido até o encerramento de julho.
O administrador tem até 30 de setembro de 2026 para concluir a remarcação dos valores patrimoniais das fazendas da carteira. O processo abrange todos os imóveis rurais que compõem o portfólio do fundo.
No fim de julho, o patrimônio líquido somava R$ 1,84 bilhão e a cota patrimonial era de R$ 97,61. Na Bolsa, a cota encerrou o mês a R$ 88,04, refletindo P/VP de 0,90. O fundo contava com 145.325 cotistas e 25 ativos, totalizando 84.141 hectares de área.