A Rumo (RAIL3) apresentou um conjunto misto de resultados no quarto trimestre de 2025, com receita acima das expectativas do mercado, mas margens pressionadas. Na avaliação do BTG Pactual, porém, o período pode marcar justamente o ponto mais difícil de uma fase de transição operacional da companhia.
Segundo relatório do banco, a empresa atravessa um momento de ajuste estratégico envolvendo preços de frete e priorização de investimentos. Ainda assim, os analistas avaliam que esse processo pode preparar a companhia para um ciclo mais consistente de crescimento.
Receita cresce, mas margens ficam abaixo das expectativas
No quarto trimestre, a Rumo registrou receita líquida de cerca de R$ 3,4 bilhões, resultado levemente acima das projeções do mercado. O desempenho foi sustentado principalmente pelo crescimento do volume transportado, mesmo diante de pressões nas tarifas de transporte ferroviário.
O EBITDA reportado foi de aproximadamente R$ 1,6 bilhão, impactado por itens não recorrentes, incluindo provisões relacionadas à Malha Sul. Ajustando esses efeitos extraordinários, analistas estimam um EBITDA ajustado próximo de R$ 1,7 bilhão, com margem de cerca de 51%, abaixo das expectativas iniciais do mercado.
Já o lucro líquido reportado foi de R$ 213 milhões, enquanto o lucro ajustado ficou em torno de R$ 310 milhões, mostrando melhora em relação ao mesmo período do ano anterior.
No relatório de resultados, a companhia destacou que o desempenho operacional foi impulsionado principalmente pela movimentação de commodities agrícolas.
Volumes fortes ajudam a compensar queda nas tarifas
O desempenho operacional da Rumo foi sustentado pelo avanço dos volumes transportados ao longo do trimestre.
Na operação Norte, responsável por parte relevante do escoamento de grãos do Centro-Oeste, os volumes cresceram cerca de 14% na comparação anual, alcançando aproximadamente 18,5 bilhões de TKUs. O movimento foi puxado principalmente pelo transporte de soja e outros produtos agrícolas.
Ao mesmo tempo, as tarifas médias na região apresentaram queda na base anual, refletindo uma estratégia comercial mais competitiva para preservar participação de mercado.
Já na operação Sul, os volumes avançaram cerca de 25% na comparação anual, em um ambiente mais normalizado após os impactos logísticos provocados pelas enchentes no sul do país ao longo de 2024.
BTG mantém recomendação de compra para Rumo
Apesar das margens mais pressionadas no trimestre, o BTG Pactual manteve visão positiva para a companhia.
O banco avalia que o momento atual reflete uma fase de ajuste estratégico da empresa, que envolve redefinição de preços e reavaliação da alocação de capital. Na visão dos analistas, esse movimento pode fortalecer a competitividade da companhia no médio prazo.
O BTG mantém recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 23, o que implica potencial relevante de valorização frente às cotações atuais.
Entre os principais pontos de atenção para investidores estão a evolução das tarifas ao longo de 2026, o comportamento da safra de grãos e o ritmo de execução dos investimentos logísticos da companhia.
Segundo os analistas do BTG Pactual, a fase atual pode representar um ponto de inflexão para a companhia. “Acreditamos que a maior parte da fraqueza operacional já foi precificada e que Rumo pode emergir desse período como uma empresa mais competitiva e disciplinada”, afirmam os analistas.
