Rede D’Or (RDOR3) mira 2,7 mil leitos e BTG vê ação subir 59%

A Rede D’Or (RDOR3) tem um plano relevante de expansão orgânica na mesa, e o BTG Pactual vê espaço para a ação subir. Em relatório assinado por Samuel Alves e Maria Resende, o banco destacou que a companhia prevê adicionar 2.690 leitos entre 2026 e 2028, o que levaria sua base total de 13.555 leitos, registrada no primeiro trimestre de 2026, para cerca de 16,2 mil leitos até 2028. Na prática, isso representa um crescimento próximo de 20%.

O número reforçou a leitura positiva do banco porque veio praticamente em linha com o plano anterior, afastando a percepção de um corte relevante no pipeline. O BTG manteve recomendação de compra para RDOR3, com preço-alvo de R$ 54, o que implica potencial de valorização de 59,4% sobre o preço de R$ 33,87 considerado no relatório.

Rede D’Or mantém plano de expansão quase intacto

Segundo o BTG, a atualização do formulário de referência da companhia trouxe uma mensagem importante para o mercado: o pipeline remanescente segue praticamente preservado.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Banner-Materias-01-Dkp_-1420x240-1.png

No plano anterior, a Rede D’Or previa 2.712 novos leitos entre 2026 e 2028. Agora, o número passou para 2.690, uma diferença de apenas 22 leitos. Em uma base acumulada entre 2025 e 2028, a mudança também é pequena: o plano atual soma 3.191 leitos, contra 3.203 anteriormente.

Para os analistas, isso mostra que o ajuste feito no ano passado foi mais realista e acabou validado pela execução de 2025, quando a companhia entregou 501 leitos, 10 acima do previsto.

O BTG também destacou que o capex médio por leito permaneceu em R$ 1,4 milhão, ponto visto como positivo diante de juros elevados por mais tempo, inflação de custos de construção e uma participação um pouco menor de projetos brownfield.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

Brownfield são expansões feitas em estruturas já existentes, como aumento de capacidade em hospitais que já estão em operação. Greenfield, por outro lado, são projetos construídos do zero. No caso da Rede D’Or, cerca de 75% das adições previstas seguem concentradas em brownfields, o que tende a reduzir risco de execução e acelerar a maturação dos ativos.

BTG vê ação descontada e tese preservada

O relatório aponta que a companhia desenvolve mais de 20 projetos greenfield e brownfield, abaixo dos mais de 30 projetos divulgados anteriormente. Ainda assim, os analistas não interpretam isso como enfraquecimento do plano, mas como uma carteira mais concentrada, com projetos possivelmente maiores ou mais maduros.

Na avaliação de Samuel Alves e Maria Resende, “sem notícia é uma boa notícia”. Para o BTG, a atualização parece mais uma validação do plano revisado no ano passado do que uma desaceleração da estratégia.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Ebook-Acoes-Desktop.webp

O banco também reforçou que a Rede D’Or segue entre seus nomes preferidos no setor de saúde. Após a correção recente das ações, atribuída em grande parte à pressão técnica causada pela redução de participação de um acionista de referência, o BTG vê um ponto de entrada atrativo.

A ação negocia abaixo de 16 vezes o lucro estimado para este ano e abaixo de 14 vezes o lucro esperado para 2027. Em uma base combinada de 12 meses à frente, o múltiplo fica perto de 15 vezes lucro, desconto de quase 20% frente à média histórica de 18 a 19 vezes.

Para a Rede D’Or, o relatório reforça que a tese de crescimento de longo prazo segue de pé. O BTG afirma que a companhia continua bem posicionada para liderar a consolidação do mercado hospitalar privado no Brasil e “potencialmente dobrar de tamanho na próxima década”.

Maíra Telles

Compartilhe sua opinião