A JBS (JBSS32) deve mostrar uma recuperação no segundo trimestre de 2026, mas ainda longe de afastar todas as preocupações. Segundo prévia da XP, a companhia deve entregar números melhores na comparação com o 1T26, impulsionada por exportações mais favoráveis e melhora em algumas operações, mas o ciclo da carne bovina ainda pesa na tese.
Os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva estimam receita líquida de R$ 117,3 bilhões para a JBS (JBSS32) no 2T26, queda de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, mas alta de 3% frente ao trimestre anterior.
O Ebitda ajustado é projetado em R$ 7,2 bilhões, recuo de 27% na comparação anual, mas avanço de 22% sobre o 1T26. Já o lucro líquido deve somar R$ 1,9 bilhão, queda de 43% em um ano, mas alta de 134% na base trimestral.
Recuperação vem, mas não resolve tudo
Na leitura da XP, a JBS (JBSS32) deve apresentar uma recuperação sequencial, mas ainda insuficiente para compensar a visão mais desafiadora para o ciclo da carne bovina no curto e médio prazo.
A margem Ebitda ajustada deve ficar em 6,2%, abaixo dos 8,4% registrados no 2T25, mas acima dos 5,2% do 1T26. A margem líquida é estimada em 1,6%, também menor que os 2,8% de um ano antes, embora superior aos 0,7% do trimestre anterior.
A melhora das margens em US Beef deve ser explicada principalmente pela ausência de perdas relacionadas a hedge, que pressionaram a rentabilidade no 2T25 e não devem se repetir neste trimestre.
Além disso, o ambiente de exportação deve continuar favorecendo as operações de JBS Brasil e JBS Austrália. O ponto de atenção, porém, está no fim das cotas tarifárias chinesas para países com imposto mais difícil a partir do 3T26.
Seara e PPC devem pesar no balanço
Apesar da melhora em algumas frentes, a XP vê Seara e PPC como os principais destaques negativos do trimestre.
Segundo os analistas, a normalização das margens deve resultar em números mais fracos nessas operações. No caso da Seara, parte da pressão pode ser compensada por uma dinâmica de exportação ainda favorável.
Já em US Pork, as condições de mercado são vistas como estáveis e positivas, o que deve ajudar a suavizar parte dos efeitos negativos em outras áreas.
Outro ponto monitorado é a alavancagem. A XP estima fluxo de caixa livre levemente positivo, de R$ 1,1 bilhão, mas projeta dívida líquida mais arrendamentos em 3,1 vezes o Ebitda.
Para os analistas, esse nível de alavancagem ocorre em um momento pouco favorável do ciclo, com margens de frango começando a se normalizar e a recuperação do US Beef avançando mais lentamente do que o esperado.
Ainda assim, a XP avalia que a ação da JBS (JBSS32) pode estar se aproximando do fim do ciclo negativo de revisões de resultados. Por isso, mesmo surpresas positivas modestas podem sustentar uma reação de curto prazo dos papéis.
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