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Petróleo dispara com tensões no Oriente Médio e pressiona mercados

Petróleo

Petróleo. Foto: Pixabay

Ampliando a tendência de alta das últimas semanas, o petróleo está disparando nesta segunda-feira (30) nos mercados internacionais, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e ao aumento do risco de interrupções no fornecimento global da commodity. Por volta das 14h, os futuros do Brent avançam cerca de 2,24%, negociados a US$ 107,68 por barril, enquanto o WTI sobe 3,52%, para US$ 103,15.

O movimento ocorre em um mês já marcado por forte valorização, que começou com o início dos conflitos entre Estados Unidos, Irã e Israel. Em março, a cotação do petróleo Brent acumula alta próxima de 60%, impulsionado por preocupações com a oferta global e pelo agravamento do cenário geopolítico na região.

Neste fim de semana, o conflito ganhou novos desdobramentos. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que deseja “tomar o petróleo do Irã”, em entrevista ao Financial Times. Além disso, um novo ataque do grupo hutí do Iêmen contra Israel ampliou o alcance do confronto no fim de semana.

A situação também se agravou com novos movimentos militares. Nos últimos dias, Israel intensificou ataques contra alvos em Teerã, enquanto os Estados Unidos deslocaram cerca de 3.500 militares para a região a bordo do navio de guerra USS Tripoli. Em resposta, o Irã afirmou estar preparado para enfrentar uma eventual incursão terrestre norte-americana.

Por que o petróleo está subindo tanto?

Segundo Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos com MBA em Finanças pela B7 Business School, a recente alta do petróleo está diretamente ligada à mudança de postura dos Estados Unidos em relação ao conflito.

“Donald Trump disse que não tinha planos recentes de fazer invasão terrestre ao Irã. Agora, ele fez uma mudança de posicionamento no final de semana e se posicionou a favor de fazer uma invasão por terra, especificamente para a ilha de Kharg, onde passa a maior parte da distribuição de petróleo do Irã”, explica ele.

De acordo com o especialista, a região é estratégica para o mercado energético global, já que uma parcela relevante do petróleo exportado pelo Oriente Médio passa pelo Estreito de Ormuz. Assim, qualquer ameaça à circulação na área tende a pressionar os preços da commodity.

“Bem provável que o petróleo continue em um estrangulamento forte ao longo das próximas uma ou duas semanas, até finalizar essa operação, ou se o Irã acabar resistindo. Isso pode escalar para um prazo até um pouco maior”, diz Coelho.

Como a alta do petróleo impacta o mercado brasileiro?

Nesse cenário, petrolíferas privadas podem se beneficiar da alta do petróleo, ao comercializar a commodity a preços mais elevados no mercado internacional. No entanto, o impacto tende a ser mais complexo para a Petrobras (PETR4).

“A Petrobras vai acabar tendo um preço de petróleo maior que ela não vai poder passar diretamente para a bomba de combustível de forma objetiva. Isso pode fazer com que ela tenha uma pressão ainda maior no balanço”, explica o economista.

Além disso, o Brasil ainda depende da importação de derivados, já que o país não possui capacidade de refino suficiente para atender toda a demanda doméstica. Com isso, o encarecimento do petróleo pode acabar sendo transmitido aos preços dos combustíveis em algum momento.

“O aumento do petróleo pode acabar gerando mais inflação aqui para a gente. Isso gera consequências como a taxa de juros no patamar alto por um tempo maior”, conclui Coelho.

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