Pão de Açúcar (PCAR3) anuncia negociações para reorganizar dívidas; entenda
O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) informou na noite de ontem (4) que possui negociações em andamento com credores para renegociar dívidas financeiras e obrigações de curto prazo. A empresa anunciou ainda que está avaliando outras alternativas para melhorar o perfil de endividamento.
O comunicado ocorre após uma reportagem publicada pelo Valor Econômico, que dizia que o GPA está renegociando uma rolagem de dívida de cerca de R$ 900 milhões com debenturistas de uma emissão de 2024, com vencimento parcial em julho.
De acordo com o comunicado divulgado pelo Pão de Açúcar, as conversas com credores seguem em andamento. No entanto, a empresa destacou que ainda não possui novas informações relevantes além do processo de negociação para refinanciamento do endividamento de curto prazo.
Em meio ao alto endividamento e a uma dança das cadeiras no alto-escalão, marcada por diversas trocas na diretoria, além de rebaixamento da nota de crédito, as ações do Pão de Açúcar acumulam queda de mais de 25% neste ano.
Resultados do 4T25 reforçam preocupações com GPA (PCAR3)
A situação financeira do Grupo Pão de Açúcar, especialmente em relação ao endividamento, passou a preocupar ainda mais os investidores após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025. No período, a companhia registrou aumento relevante do endividamento e da alavancagem.
A dívida líquida da varejista subiu de R$ 1,39 bilhão em 2024 para R$ 2,08 bilhões em 2025. Com isso, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, avançou de 1,6 vez para 2,4 vezes no intervalo de um ano.
O balanço também trouxe um alerta da auditoria da Deloitte sobre a situação financeira da empresa. Em relatório enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a auditoria apontou a existência de uma “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”.
Segundo o documento, ao fim de 2025 o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) apresentava um déficit de capital circulante líquido de cerca de R$ 1,2 bilhão. O resultado é explicado, principalmente, por empréstimos e debêntures que somam aproximadamente R$ 1,7 bilhão e têm vencimento previsto para 2026.