A Pague Menos (PGMN3) encontrou uma boa receita para fazer o lucro crescer no segundo trimestre de 2026: mais vendas por loja, avanço acelerado dos canais digitais e controle das despesas. A rede farmacêutica registrou lucro líquido ajustado de R$ 73,6 milhões, alta de 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto alcançou a maior margem Ebitda de sua história.
O resultado da Pague Menos mostrou evolução operacional mesmo com uma desaceleração no ritmo das vendas. A receita líquida somou R$ 3,99 bilhões, crescimento anual de 8%, enquanto a receita bruta chegou a R$ 4,34 bilhões, avanço de 9,3%.
Pague Menos (PGMN3) amplia lucro e atinge margem recorde
O Ebitda ajustado da companhia alcançou R$ 281,7 milhões no 2T26, alta de 15,4% na comparação anual. A margem Ebitda avançou de 6,1% para 6,5%, estabelecendo um novo recorde para a rede.
Segundo a Pague Menos, o desempenho foi favorecido pela diluição das despesas operacionais. Na avaliação do Safra, a redução proporcional dos gastos com vendas compensou a leve retração da margem bruta e permitiu que o Ebitda ficasse cerca de 5% acima da projeção do banco.
A margem bruta ficou em 30,6%, recuo de 0,1 ponto percentual em um ano. A companhia atribuiu a variação ao ajuste a valor presente, às oscilações dos juros e do capital de giro e a menores ganhos inflacionários sobre os estoques. O impacto foi parcialmente compensado por menores perdas, condições comerciais mais favoráveis e um mix de produtos melhor.
Apesar da evolução do lucro, o número ficou abaixo da estimativa do Safra. De acordo com a análise, despesas financeiras superiores ao previsto limitaram a conversão do melhor resultado operacional em lucro líquido.
Vendas digitais superam R$ 1 bilhão pela primeira vez
O canal digital foi um dos principais destaques do trimestre. As vendas online cresceram 40,6% sobre o 2T25 e ultrapassaram R$ 1 bilhão pela primeira vez em um único trimestre. Com isso, os canais digitais passaram a representar 24,1% das vendas brutas da Pague Menos, ante 18,7% um ano antes.
Parte desse crescimento veio dos medicamentos análogos de GLP-1, utilizados em tratamentos de diabetes e obesidade, que têm cerca de 60% das vendas realizadas por canais digitais. Mesmo sem considerar essa categoria, porém, a companhia afirmou que o digital teria avançado 28% na comparação anual.
Entre as categorias, os medicamentos genéricos tiveram crescimento de 15,1%. Produtos de higiene e beleza avançaram 10%, medicamentos de marca sob prescrição cresceram 9,6% e produtos sem prescrição apresentaram alta de 4,7%.
Crescimento das lojas desacelera
As vendas em mesmas lojas cresceram 8% no segundo trimestre, abaixo dos 13% registrados no 1T26 e dos 18,1% observados no mesmo período de 2025. A venda média mensal por unidade chegou a R$ 856 mil, aumento anual de 6,9%, enquanto o número de transações avançou 4,3%.
A desaceleração não significa necessariamente perda de clientes ou piora da operação. A empresa destacou que a comparação passou a ser feita contra bases mais fortes, especialmente no segmento de GLP-1 após o lançamento da tirzepatida no mercado brasileiro em maio de 2025. A contribuição da categoria para o crescimento total caiu de 6,5 pontos percentuais no 1T26 para 3,2 pontos no 2T26.
A companhia encerrou junho com 1.695 lojas, ante 1.657 um ano antes. No trimestre, foram abertas oito unidades e fechada uma loja. Das 346 unidades ativas adquiridas da Extrafarma, 210 já haviam sido convertidas para a marca Pague Menos.
Geração de caixa melhora, mas ainda exige atenção
O fluxo de caixa operacional alcançou R$ 188,8 milhões, avanço de 207,5% em relação ao 2T25, favorecido principalmente pela melhora do capital de giro.
Nos 12 meses encerrados em junho, o fluxo de caixa livre chegou a R$ 110 milhões, ante R$ 18 milhões no período comparável. Mesmo com essa evolução, o Safra destacou que a companhia ainda registra consumo de caixa em determinadas métricas acumuladas e que a dinâmica do capital de giro permanece como um dos principais pontos de monitoramento.
A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, caiu de 2,6 vezes para 1,8 vez em um ano. Foi o 12º trimestre consecutivo de redução do indicador.
Com o endividamento diminuindo, a companhia projeta acelerar gradualmente a abertura de lojas ao longo de 2026. Para o investidor, o próximo teste será acompanhar se a Pague Menos (PGMN3) conseguirá preservar a margem recorde, ampliar a geração de caixa e sustentar o crescimento das vendas mesmo diante de bases comparativas mais exigentes. Esses serão os pontos centrais para avaliar a continuidade da melhora no resultado da Pague Menos.
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