O PagBank (PAGS34) conseguiu preservar o lucro no segundo trimestre de 2026 mesmo em um ambiente mais competitivo para pagamentos. A companhia registrou lucro líquido de R$ 549 milhões, alta de 2,3% em um ano e de 0,7% frente ao trimestre anterior, enquanto o avanço no volume transacionado e a redução do custo de captação ajudaram a sustentar o resultado.
A leitura do Safra, porém, foi mais contida. Para o banco, o trimestre ficou amplamente em linha com o esperado e trouxe sinais positivos no volume de pagamentos e no negócio bancário, mas ainda não mostrou uma aceleração consistente de receita e rentabilidade.
Volume cresce, mas receita por transação segue pressionada
O volume total de pagamentos processados pelo PagBank chegou a R$ 133,4 bilhões, crescimento de 3% na comparação anual e de 4% frente ao primeiro trimestre.
O dado superou em 1,8% a estimativa do Safra e indica uma recuperação gradual da atividade. Ao mesmo tempo, a taxa líquida capturada por operação ficou em 2,5%, mostrando que parte desse avanço veio de transações com menor rentabilidade.
Na avaliação do Safra, esse movimento pode estar relacionado ao aumento de pagamentos instantâneos e a uma participação maior de operações ligadas a apostas esportivas.
A receita líquida somou R$ 3,38 bilhões, alta de 1,7% em um ano, mas ficou 2,5% abaixo da projeção do banco.
Menor custo de captação ajuda o lucro bruto
O principal apoio ao resultado veio da redução dos custos financeiros.
O lucro bruto alcançou R$ 2 bilhões, avanço de 2,8% na comparação anual e de 5,8% frente ao trimestre anterior. A margem bruta subiu para 39,4%. A melhora foi favorecida pela migração para fontes de financiamento com prazos mais longos e por um custo médio de captação menor.
As despesas financeiras totalizaram R$ 1,27 bilhão, queda de 4,9% em relação ao primeiro trimestre. Já as despesas operacionais cresceram 13,3% no trimestre e limitaram parte desse ganho.
Negócio bancário ganha mais peso
Enquanto o crescimento do negócio de pagamentos permaneceu mais lento, a operação bancária avançou.
Os depósitos chegaram a R$ 42,8 bilhões, alta de 15,1% em um ano. A carteira de crédito somou R$ 5,1 bilhões, crescimento anual de 30,7%. A receita bancária avançou 5% no trimestre, para R$ 824 milhões, ajudando a compensar a queda de 3,4% na receita da operação de pagamentos.
A base de lojistas ativos, por outro lado, ficou praticamente estável em 6,2 milhões, com adições líquidas negativas no período. O dado reforça a dificuldade de ganhar novos clientes em um mercado bastante competitivo.
Safra mantém recomendação neutra
Para o Safra, o resultado do PagBank mostrou alguns avanços, especialmente no volume processado e na redução do custo de captação, mas ainda não confirmou uma trajetória mais forte de crescimento.
O banco chama atenção principalmente para a menor rentabilidade por transação e para a dificuldade de expansão da base de lojistas. Na avaliação da casa, será necessário observar maior consistência no crescimento dos volumes, da receita e do lucro bruto nos próximos trimestres para que a visão sobre a companhia fique mais positiva.
Por enquanto, o Safra mantém recomendação Neutra para as ações do PagBank (PAGS34).
Notícias Relacionadas
