Nvidia (NVDC34) lucra US$ 58,3 bilhões e mostra por que Wall Street ainda não cansou da IA

A Nvidia (NVDC34) entregou mais um trimestre capaz de mexer com Wall Street. A fabricante de chips reportou lucro líquido de US$ 58,3 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, um salto de 211% na comparação anual, enquanto a receita atingiu o recorde de US$ 81,6 bilhões, crescimento de 85% em 12 meses. Os resultados vieram acima das projeções do mercado e reforçaram o domínio da companhia na corrida global por inteligência artificial.

Para a XP, as principais surpresas positivas apareceram justamente na receita, que veio 3,1% acima do esperado, e no lucro por ação, em 5,4% acima do consenso.

Segundo Maria Irene Jordão, estrategista global do Research da XP, e Raphael Figueredo, estrategista de ações do Research da XP, o resultado foi impulsionado “pelo ramp acelerado da arquitetura Blackwell e pela demanda robusta por soluções de networking”.

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Nvidia (NVDC34) vê explosão no lucro

O lucro diluído por ação saltou para US$ 2,39, ante US$ 0,76 um ano antes, enquanto o lucro operacional avançou 147%, para US$ 53,5 bilhões.

O principal motor segue sendo a divisão de data center.

A receita do segmento atingiu US$ 75,2 bilhões, crescimento de 92% em relação ao ano anterior e alta de 21% na comparação trimestral, puxada pela expansão da arquitetura Blackwell e pela demanda por soluções como InfiniBand, Spectrum-X Ethernet e NVLink.

Segundo a XP, o segmento hoje “define, em boa medida, a narrativa em torno da Nvidia”.

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Neste trimestre, a companhia também passou a divulgar os números de data center em duas frentes: Hyperscale e ACIE. O primeiro grupo, ligado às gigantes de nuvem e plataformas digitais, gerou US$ 37,9 bilhões em receita, enquanto ACIE, que reúne nuvens de IA, clientes industriais, empresas e governos, somou US$ 37,4 bilhões.

Para os analistas da XP, essa divisão “marca uma mudança estrutural na história da Nvidia”, reduzindo dependência de poucos hyperscalers e ampliando a diversificação da base de clientes.

IA segue impulsionando geração de caixa

A Nvidia também chamou atenção pela força financeira.

O fluxo de caixa operacional atingiu US$ 50,3 bilhões, acima dos US$ 27,4 bilhões registrados um ano antes. A companhia encerrou o trimestre com US$ 50,3 bilhões em caixa.

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Além disso, anunciou aumento do dividendo trimestral de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação e nova autorização de US$ 80 bilhões em recompra de ações. Em comunicado, o CEO Jensen Huang afirmou que “a demanda global pela infraestrutura de IA da Nvidia é incrivelmente forte”, destacando que a arquitetura Blackwell já está em plena expansão.

Empresa ainda vê risco importante

Apesar da euforia, a XP destaca um ponto de atenção relevante: a ausência total de receita vinda da China no trimestre. Segundo os analistas, isso representa um potencial “risco estrutural para a tese”.

A Nvidia informou que não realizou envios de produtos Hopper para o país no período, em contraste com os US$ 4,6 bilhões registrados no primeiro trimestre do ano anterior. Além disso, a projeção para o próximo trimestre também não considera receitas de data center vindas do mercado chinês.

Ainda assim, a Nvidia (NVDC34) projeta nova aceleração, com expectativa de receita de US$ 91 bilhões no segundo trimestre fiscal. Segundo a companhia, ela “garantiu estrategicamente estoque e capacidade para atender à demanda além dos próximos trimestres”, sinalizando que o ciclo de investimentos em IA continua longe do fim.

Maíra Telles

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