As ações do Nubank (ROXO34) voltam a operar em queda nesta quarta-feira (3), após a forte reação negativa do mercado à troca do diretor financeiro (CFO) anunciada no início da semana. Por volta das 14h (horário de Brasília), os papéis recuavam 3,41%, a US$ 11,46, na Bolsa de Nova York (NYSE).
O movimento amplia as perdas recentes da fintech. Na semana, as ações do Nubank nos Estados Unidos acumulam baixa superior a 11,67%, enquanto, no acumulado de 2026, a desvalorização já supera 32%.
A pressão sobre os papéis ganhou força após o Nubank anunciar que Guilherme Lago deixará o cargo de CFO. Ele será substituído por Rob Livingston, executivo que atuava como CFO da Visa para a América do Norte e que assumirá a função a partir de 13 de julho.
Em um relatório divulgado após o anúncio, o BTG Pactual afirmou que a mudança pegou tanto os analistas quanto os investidores de surpresa. Embora tenha destacado o currículo de Livingston e sua experiência em empresas como Visa e Capital One, o banco ressaltou que a transição acontece em um momento delicado para a tese de investimento da companhia.
“Em um momento de maior incerteza em torno da tese de investimento, particularmente devido às preocupações com a expansão nos Estados Unidos e a qualidade dos ativos, a mudança adiciona uma camada extra de incerteza”, escreveram os analistas.
Segundo o BTG, a saída de Lago ocorre justamente quando o mercado monitora mais de perto a evolução da carteira de crédito e os impactos da estratégia de crescimento internacional do Nubank.
Apesar do ruído de curto prazo, o banco manteve recomendação de compra para os papéis e preço-alvo de US$ 21 para os próximos 12 meses. Ainda assim, a instituição decidiu retirar o Nubank de sua carteira recomendada 10SIM de junho, substituindo a fintech pelo Itaú Unibanco (ITUB4).
Por que as ações do Nubank (ROXO34) acumulam forte queda em 2026?
Embora a troca do CFO tenha intensificado a pressão recente, a queda das ações do Nubank começou antes do anúncio.
Nos últimos meses, os investidores passaram a demonstrar maior preocupação com a qualidade da carteira de crédito da companhia, especialmente em um cenário de juros elevados e desaceleração econômica em alguns mercados relevantes para a fintech.
No primeiro trimestre, o Nubank registrou aumento de 75,7% nas provisões para perdas com crédito, que alcançaram US$ 1,7 bilhão. Ao mesmo tempo, a inadimplência entre 15 e 90 dias avançou para 5%, enquanto a carteira de crédito cresceu 40% na comparação anual, chegando a US$ 37,2 bilhões.
O movimento levou parte do mercado a questionar se a companhia estaria priorizando o crescimento da operação de crédito em detrimento da qualidade dos ativos.
O Citi, por exemplo, reduziu seu preço-alvo para as ações, embora tenha mantido recomendação de compra. Já o Bank of America adotou uma postura mais cautelosa, rebaixando a recomendação dos papéis para venda e cortando seu preço-alvo de US$ 16 para US$ 10 após o anúncio do novo CFO.
Na avaliação do BTG, as preocupações relacionadas à qualidade do crédito devem continuar presentes nos próximos trimestres. Os analistas afirmam que o Nubank (ROXO34) provavelmente precisará entregar dois ou três trimestres consecutivos de melhora nos indicadores de qualidade dos ativos e nas margens ajustadas ao risco para recuperar a confiança dos investidores.
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