Amazon x IA: nova disputa no e-commerce pode mexer com Mercado Livre (MELI34)

O Mercado Livre (MELI34) entrou no centro de um debate que pode redefinir o futuro do comércio digital. Um relatório recente do BTG Pactual aponta que o avanço de assistentes de compras baseados em inteligência artificial pode transformar a forma como consumidores encontram produtos na internet — e colocar gigantes do e-commerce diante de um novo desafio estratégico.

O gatilho para essa discussão veio após uma decisão judicial nos Estados Unidos envolvendo a Amazon e a startup Perplexity. Um juiz federal concedeu uma liminar bloqueando temporariamente um agente de compras automatizado que realizava transações diretamente no marketplace da empresa.

Segundo o relatório, o episódio revela o início de uma nova fase do comércio digital.

“Além da disputa legal, o caso destaca a chegada de uma nova etapa do comércio eletrônico: o chamado ‘agentic shopping’, em que assistentes de IA passam a pesquisar, comparar e executar compras diretamente em nome dos consumidores”, afirmam os analistas do BTG. 

A nova batalha pelo controle da jornada de compra

O avanço desses agentes inteligentes cria um risco estrutural para plataformas tradicionais de e-commerce.

Hoje, marketplaces como Amazon e Mercado Livre controlam grande parte da jornada do consumidor; desde a busca por produtos até recomendações e anúncios patrocinados dentro das próprias plataformas.

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Mas a lógica pode mudar se a interface de compra migrar para assistentes de inteligência artificial.

Nesse cenário, consumidores poderiam simplesmente pedir a um sistema de IA para comprar um produto, enquanto o algoritmo escolheria automaticamente o melhor vendedor entre diferentes plataformas.

Na prática, isso reduziria a importância das vitrines digitais dos marketplaces. “Se assistentes de IA passarem a intermediar a decisão de compra, grande parte do valor atualmente capturado pelas plataformas pode migrar para quem controla essa interface”, destaca o relatório. 

Por que Mercado Livre pode estar mais protegida

Apesar desse risco estrutural para o setor, os analistas avaliam que o Mercado Livre possui algumas vantagens importantes em relação a outros players.

Isso ocorre porque a empresa construiu um ecossistema altamente integrado na América Latina, que vai muito além do marketplace tradicional.

A companhia controla várias camadas do comércio digital, incluindo:

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  • pagamentos com Mercado Pago
  • logística com Mercado Envios
  • soluções de crédito
  • plataforma de publicidade digital

Essa integração cria uma espécie de “barreira defensiva” contra a desintermediação por plataformas externas de IA.

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“Para o Mercado Livre, o surgimento de agentes de compras baseados em IA representa tanto um risco quanto uma oportunidade, mas a estrutura de ecossistema da companhia oferece uma proteção relativa”, afirmam os analistas. 

Segundo o relatório, como a empresa controla não apenas a descoberta do produto, mas também pagamentos, financiamento, logística e devoluções, fica mais difícil que plataformas externas assumam completamente o relacionamento com o consumidor.

Uma nova disputa tecnológica no varejo digital

O estudo aponta que a indústria pode estar entrando em uma nova fase de competição.

Enquanto plataformas de e-commerce tentam manter o controle sobre a jornada de compra, empresas de inteligência artificial buscam se tornar a principal porta de entrada para transações online.

Essa disputa pode definir quem ficará com a camada mais valiosa do comércio digital: o momento em que o consumidor decide o que comprar.

“A disputa entre plataformas de IA e varejistas tradicionais pode se tornar uma das batalhas competitivas mais importantes da próxima década”, conclui o relatório ao discutir os impactos potenciais para empresas como o Mercado Livre (MELI34).

Maíra Telles

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