Mercado agro terá semana de teste para soja, milho, café e boi; entenda

A semana começa com o campo olhando para três telas ao mesmo tempo: clima, China e Bolsa de Chicago. No mercado agro, o relatório Conexão Mercado Agro, do Banco do Brasil (BBAS3), aponta que soja, milho, café e boi gordo devem seguir sensíveis a dados externos, ritmo de colheita, exportações e movimentação de fundos entre os dias 6 e 10 de julho.

No pano de fundo, o cenário macro também pesa. No exterior, a atenção fica voltada à ata do Fomc, à inflação da China e à reunião da Opep+. No Brasil, os destaques da semana são IPCA, IPC-S e IGP-DI, em um momento em que o Banco do Brasil (BBAS3) projeta Selic a 14% no fim de 2026, IPCA de 5,3% e crescimento de 2,1% do PIB.

Agro acompanha soja e milho nos EUA

Na soja, o foco volta ao clima nos Estados Unidos e à demanda chinesa. Segundo o relatório, os dados de área plantada e estoques trimestrais do USDA devem continuar repercutindo sobre a precificação na Bolsa de Chicago. A leitura é que novas confirmações de produção global elevada podem pressionar as cotações.

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Ao mesmo tempo, qualquer sinal de calor excessivo ou seca no cinturão agrícola norte-americano, especialmente na segunda quinzena de julho, pode sustentar altas. No Brasil, a demanda da indústria, das exportações e os prêmios nos portos tendem a dar suporte ao físico, mesmo com oferta ampla da safra brasileira.

No milho, a semana será marcada pela expectativa em torno do relatório Wasde, previsto para 10 de julho. O documento pode direcionar preços em Chicago, principalmente por trazer novas leituras sobre clima nas regiões produtoras dos EUA e exportações globais.

O Banco do Brasil (BBAS3) avalia que a colheita avançando na América do Sul, a lavoura norte-americana em bom desenvolvimento e estoques elevados nos EUA devem manter pressão baixista no curto prazo. No Brasil, o avanço da segunda safra, que chegou a 18,8%, também tende a pesar sobre os preços internos.

Café deve seguir volátil

No café, o relatório é direto: “volatilidade deve marcar mercado do café nos próximos meses”. A previsão de clima mais seco nas regiões produtoras brasileiras pode favorecer o avanço da colheita e pressionar preços no curto prazo, mas as dúvidas sobre qualidade da safra seguem no radar.

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O documento também cita preocupação com mofo e broca nos grãos após semanas de umidade elevada. Além disso, os fundos de investimento seguem relevantes para a formação de preços. Na semana anterior, os contratos de arábica encerraram em forte alta, com o vencimento de julho subindo 14,35%.

Para o médio prazo, o mercado acompanha a materialização da safra brasileira, a recomposição de estoques na ICE e os impactos do El Niño sobre a florada de setembro e outubro.

Boi gordo depende das exportações

No boi gordo, o curto prazo ainda é de cautela. A boa oferta de animais terminados e as escalas de abate confortáveis devem limitar altas na arroba. Por outro lado, o bom ritmo das exportações evita uma queda mais forte dos preços.

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China e Estados Unidos seguem entre os principais compradores da carne bovina brasileira. Para o segundo semestre, o relatório aponta atenção ao preenchimento da cota chinesa de importação, que pode gerar tarifas mais altas sobre parte dos embarques até outubro.

No mercado agro, a leitura do Banco do Brasil (BBAS3) para a semana combina pressão baixista em milho, volatilidade em café, soja dependente de clima e demanda chinesa, e boi gordo sustentado pelas exportações, mas ainda limitado pela oferta confortável de animais.

Maíra Telles

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