MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3) recuam após UE confirmar veto à carne brasileira
As ações das empresas brasileiras do setor de carnes, como a MBRF (MBRF3), estão operando em queda nesta segunda-feira (8), após a União Europeia oficializar a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco.
Por volta das 10h30, os papéis da Minerva (BEEF3) recuavam 2,72%, cotados a R$ 3,58. No mesmo horário, as ações da MBRF (MRFG3) caíam 1,97%, a R$ 15,45.
A decisão foi confirmada na última sexta-feira (5) por meio de publicação no Diário Oficial da União Europeia e prevê a proibição da importação de carnes, tripas, peixes e mel produzidos no Brasil a partir de 3 de setembro.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que atende integralmente às exigências sanitárias do bloco relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal. O entendimento dos europeus é que ainda faltam mecanismos capazes de comprovar, ao longo de toda a cadeia produtiva, o cumprimento das regras adotadas pela UE.
Por que a União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de autorizados?
A medida está relacionada às normas europeias de segurança alimentar conhecidas como One Health, iniciativa criada para reduzir o uso excessivo de antibióticos e combater o avanço da resistência antimicrobiana.
Embora o governo brasileiro tenha proibido, em abril deste ano, parte dos antimicrobianos utilizados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade dos animais, a Comissão Europeia avaliou que as medidas adotadas ainda não são suficientes para atender às exigências do bloco.
Entre as substâncias restritas pela regulamentação europeia estão compostos como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A decisão não significa, necessariamente, que os produtos brasileiros estejam contaminados ou apresentem riscos à saúde dos consumidores europeus. O principal ponto levantado pela UE envolve a capacidade do Brasil de demonstrar, por meio de sistemas de rastreabilidade e certificação, que os animais destinados à exportação não receberam medicamentos proibidos pelas normas europeias.
Para voltar à lista de países autorizados a exportar os produtos afetados, o Brasil precisará comprovar conformidade total com as regras sanitárias da União Europeia. Entre as alternativas estão o endurecimento das restrições ao uso desses medicamentos ou a implementação de mecanismos mais robustos de monitoramento e rastreabilidade da cadeia produtiva.