Mansueto, do BTG Pactual (BPAC11), diz que governo peca em diálogo com Congresso

O economista-chefe do BTG Pactual (BPAC11), Mansueto Almeida, disse nesta segunda-feira (25), durante a Money Week, que o governo atual tem pecado no diálogo com o Congresso Nacional. Segundo ele, que foi secretário do Tesouro de Paulo Guedes, o governo Michel Temer teve sucesso nesse quesito, mas o mandato sob tutela de Jair Bolsonaro demorou a construir uma base política.

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O presidente Temer trouxe para o governo pessoas que sabiam dialogar e convencer seus pares. Esse é o grande desafio. O governo atual tem pecado um pouco. Não tinha base política e só agora construiu uma, mas ainda está num processo de acomodação”, disse Mansueto.

Para ele, o Congresso foi reformista nos últimos anos estimulado por um incentivo do Executivo.

“Se vai andar ou não e o teor (das reformas), depende da capacidade de articulação do Executivo. Quando o Executivo consegue liderar o processo de mudança, o Legislativo vai atrás. No Brasil, ainda é muito importante a liderança do Presidente da República”, disse.

Mansueto disse que vai ser muito difícil aprovar reformas estruturais como tributária e administrativa em um ano eleitoral.

De acordo com o ex-secretário, em anos eleitorais, o que os governos fazem é mostrar que não haverá mudanças na trajetória econômica. Ele diz não acreditar em aprovação de reformas em ano eleitoral porque os deputados não param em Brasília para aprovar projetos importantes.

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Mansueto sobre Selic

Mansueto Almeida afirmou que, quando se aumenta taxa de juros –  a Selic – para trazer a inflação para a meta, é preciso ter na margem a ideia de um crescimento econômico menor.

O que não pode acontecer, de acordo com Mansueto, é deixar o mercado interpretar que a inflação não vai cair. Neste aspecto, de acordo com o economista, é preciso que o governo convença o mercado e à sociedade de que o baixo crescimento decorrente do aumento de juro para fazer frente à inflação fique circunscrito a 2022.

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A despeito de reconhecer que o crescimento de 2022 será menor por causa do aumento do juro, Mansueto afirma achar melhor o BC aumentar a Selic agora do que postergar a alta e ter que fazer um esforço maior lá na frente.”Não me preocupa um ano isolado, mas a tendência”, disse.

Brasil e segurança fiscal

Ainda segundo Mansueto, apesar de o teto de gastos ter garantido a inédita situação de um ciclo de quatro anos de governo sem aumento real da despesa em relação ao mandato anterior, as contas ainda estão no vermelho.

“O déficit (primário) neste ano será de 1% do PIB, ainda temos caminho para fazer. O que importa para o investidor não é um superávit em 1 ou 2 anos, mas enxergar que em um período razoável o país terá superávit para colocar a dívida na trajetória de queda”, disse.

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Em meio à polêmica tentativa de mudança do cálculo do teto de gastos pelo governo, Mansueto, que foi secretário do Tesouro de Paulo Guedes, ressaltou que o teto foi a única forma encontrada pelo governo de realizar um ajuste sem aumento de carga tributária e só deve ser modificado por um dispositivo melhor.

“Se há crítica ao teto, pode-se discutir mudança, que seja para colocar algo melhor no lugar. Precisamos concordar de que precisamos de esforço fiscal para voltar a ter resultado superavitário”, disse Mansueto.

Com informações do Estadão Conteúdo

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Eduardo Vargas

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