O balanço da Iguatemi (IGTI11) trouxe lucro maior, avanço do Ebitda e inadimplência praticamente zerada. Mesmo assim, as ações recuaram nesta quarta-feira (5). O motivo está menos nos números financeiros e mais no movimento dentro dos shoppings: vendas e aluguéis cresceram abaixo do esperado no segundo trimestre.
Por volta das 13h10, as units da companhia caíam 1,13%, a R$ 25,28, enquanto o Ibovespa avançava 0,4%. Apesar da reação negativa, BTG Pactual, Safra e Itaú BBA mantiveram avaliações positivas para o papel, ainda que com leituras diferentes sobre a qualidade do resultado.
Lucro da Iguatemi cresce no 2T26
Na base pro forma, que exclui ganhos de capital e outros efeitos temporários relacionados à compra e à venda de participações em shopping centers, a Iguatemi registrou lucro líquido recorrente de R$ 133,8 milhões, alta anual de 22,1%.
O Ebitda recorrente chegou a R$ 290,5 milhões, crescimento de 10,8%, enquanto o FFO — indicador usado para avaliar a geração recorrente de resultado de empresas imobiliárias — avançou 21%, para R$ 170,9 milhões. A receita líquida somou R$ 396 milhões, aumento de 11,6%.
Sem os ajustes pro forma, os números apresentaram quedas anuais. A diferença ocorre porque o 2T25 ainda incorporava integralmente efeitos relacionados às aquisições de participações nos shoppings Pátio Paulista e Pátio Higienópolis, dificultando uma comparação direta entre os períodos.
O que desagradou no resultado?
O principal ponto de atenção foram os indicadores operacionais.
As vendas nas mesmas lojas, conhecidas como SSS, cresceram apenas 1,7%, abaixo da expectativa de aproximadamente 5% mencionada na análise do BTG. Já o aluguel nas mesmas lojas, ou SSR, avançou 2,7%, equivalente a um ganho real de 1,8%.
Os analistas atribuem parte da desaceleração a uma base de comparação mais forte, à concentração da Páscoa no primeiro trimestre e ao impacto da Copa do Mundo sobre o fluxo de consumidores em junho.
Outros indicadores, porém, permaneceram saudáveis. A taxa de vacância caiu para 3,1%, o custo de ocupação dos lojistas ficou em 10,8% das vendas e a inadimplência líquida permaneceu em apenas 0,1%. O Safra também destacou alta de 4,2% nas vendas por área e crescimento de 4,6% nas vendas por metro quadrado.
Por que os analistas continuam otimistas?
Mesmo classificando o trimestre como misto, o BTG manteve recomendação de compra. A avaliação é que o portfólio de shopping centers de alto padrão da Iguatemi tende a ser mais resiliente em um ambiente econômico desafiador.
O Safra também reiterou sua visão positiva e destacou a qualidade dos principais ativos da companhia. Iguatemi São Paulo e JK Iguatemi respondem juntos por cerca de 40% da receita de aluguel e apresentam algumas das maiores vendas por metro quadrado do setor.
O Itaú BBA adotou um tom mais cauteloso. Para a casa, a receita de aluguel ficou mais fraca do que o esperado, enquanto o desempenho foi compensado pelo crescimento de 26% da iRetail, operação responsável pelo desenvolvimento e pela gestão de marcas internacionais de luxo no Brasil.
Embora não veja grandes gatilhos para uma valorização imediata, o BBA considera que o portfólio premium poderá se beneficiar da reforma tributária a partir de 2027.
Qual é o potencial apontado para IGTI11?
As três casas mantêm recomendação positiva, mas os preços-alvo mostram visões bastante diferentes:
Considerando a cotação de R$ 25,28 registrada durante o pregão, o preço-alvo do Safra representava potencial de alta de aproximadamente 42%, enquanto o do Itaú BBA indicava valorização próxima de 23%. Já o alvo do BTG estava praticamente alinhado ao preço de mercado.
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Para o investidor, o balanço mostrou duas histórias. De um lado, lucro, Ebitda, FFO e ocupação continuam avançando. De outro, a desaceleração das vendas e dos aluguéis levanta dúvidas sobre o ritmo do crescimento no curto prazo. Ainda assim, os analistas consultados mantêm uma leitura positiva para a Iguatemi (IGTI11), sustentada principalmente pela qualidade de seu portfólio e pela baixa inadimplência.
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