IFIX sobe 11% e rali destaca força dos juros domésticos

As recentes turbulências geopolíticas globais vêm redirecionando capital para nações emergentes, ao mesmo tempo em que investidores reduzem exposição em economias desenvolvidas. No Brasil, esse movimento impulsionou o rali do Ibovespa rumo a recordes e coincidiu com uma sequência de ganhos nos fundos imobiliários, refletida no IFIX, reacendendo o debate sobre correlação entre esses dois mercados.

O Ibovespa encerrou 2025 com alta de 34%, melhor desempenho desde 2016. Superou 160 mil pontos em dezembro e atingiu novo pico de 178 mil em janeiro, acumulando cerca de 27,6% entre o fim de julho e o início do ano. Já o IFIX avançou aproximadamente 11,3% no período, migrando de 3.426 para 3.820 pontos. Em 2025, o indicador dos FIIs subiu mais de 18%.

Especialistas destacam que o movimento simultâneo não implica dependência direta. Vitor Frango, da ARX Investimentos, aponta que os fluxos recentes privilegiaram ações, enquanto o IFIX responde a fundamentos próprios. Em dólares, índices de Brasil e México apresentaram correlação positiva pela entrada de recursos, mas a influência sobre FIIs é limitada, pois poucos integram índices globais de mercados emergentes.

IFIX ganha tração com IFIX guiado por fatores internos

Frango ressalta que os FIIs são estruturas com benefícios fiscais voltadas ao investidor pessoa física, o que reforça a sensibilidade a variáveis domésticas como taxa de juros, inflação e performance operacional dos imóveis. Assim, o comportamento das cotas tende a refletir mais o ciclo interno que o fluxo internacional de curto prazo.

A performance recente foi heterogênea entre categorias. No mês, fundos de lajes corporativas subiram 1,65%, os de shoppings centers ganharam 1,36% e os fundos de fundos (FOFs) avançaram 1,81%, enquanto o IFIX marcou 1,25%. Já os fundos logísticos cresceram apenas 0,26%, evidenciando uma alta seletiva, condicionada a riscos e características de cada segmento.

Gerardo Teixeira, da Suno Asset, vê alguma aproximação com REITs, porém limitada pelo foco estrangeiro em ETFs e rebalanceamentos globais. Para 2025, o suporte principal é doméstico: fechamento das curvas e bom ciclo do mercado imobiliário físico, com vacância historicamente baixa em galpões logísticos e recuperação gradual das lajes corporativas em São Paulo.

Nos últimos 90 dias, ativos como BRCR11, BPML11, URPR11, BTAL11, RECT11, VILG11, RCRB11 e SNFF11 lideraram ganhos, seja pela redução de descontos, seja pela melhora operacional. Embora várias cotas já precifiquem parte do otimismo, permanecem descontos e rendimentos atrativos. No balanço, os fundos imobiliários seguem em reprecificação gradual, mais atrelada ao ciclo de juros e à economia doméstica do que a fluxos externos.

Redação Suno Notícias

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