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IFIX avança com juros em queda e fundamentos domésticos

IFIX sobe em meio a rali do Ibovespa, mas alta dos FIIs tem base doméstica, dizem analistas

IFIX sobe em meio a rali do Ibovespa, mas alta dos FIIs tem base doméstica, dizem analistas

As recentes tensões geopolíticas globais estimularam a realocação de capitais e redesenharam fluxos entre classes de ativos. Enquanto o Ibovespa surfou o apetite por risco e atingiu novos picos, o desempenho do IFIX confirmou alta, porém em ritmo mais moderado, sugerindo dinâmica própria para os fundos imobiliários. Essa leitura ganhou força com a percepção de que a correlação entre bolsa e FIIs é limitada em períodos de entrada concentrada de capital estrangeiro.

No encerramento de 2025, o Ibovespa acumulou 34% e superou 160 mil pontos, alcançando 178 mil em janeiro. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, a alta foi de 27,6%. No mesmo intervalo, o IFIX avançou 11,3%, saindo de 3.426 para 3.820 pontos, somando mais de 18% no ano. Embora positivos, os movimentos não ocorreram de forma idêntica, reforçando que os fundos imobiliários respondem a vetores específicos do mercado local.

Segundo Vitor Frango, da ARX Investimentos, os fluxos internacionais favoreceram principalmente ações, com correlação elevada entre índices em dólar de Brasil e México. No universo dos FIIs, o efeito é menor, pois apenas uma fração reduzida compõe índices globais de mercados emergentes. Além disso, trata-se de produtos com benefícios fiscais voltados à pessoa física, o que intensifica a sensibilidade às condições domésticas.

A taxa de juros, a inflação e a performance operacional dos imóveis tendem a pesar mais do que movimentos táticos de capital externo. Na fotografia recente, a alta do IFIX foi heterogênea: lajes corporativas subiram 1,65% no mês, shoppings centers 1,36% e fundos de fundos (FOFs) 1,81%, enquanto os fundos logísticos avançaram só 0,26%. O índice consolidou 1,25% no período.

Para Gerardo Teixeira, da Suno Asset, existe alguma aproximação entre FIIs e REITs, mas o estrangeiro atua via ETFs e rebalanceamentos, com menor compra direta de cotas. O suporte principal ao mercado em 2025 veio do ciclo doméstico: fechamento das curvas e força do mercado imobiliário físico, com vacância historicamente baixa em galpões logísticos e recuperação das lajes corporativas em São Paulo.

Na janela de 90 dias, nomes como BRCR11, BPML11, URPR11, BTAL11, RECT11, VILG11, RCRB11 e SNFF11 concentraram ganhos, seja pela redução de descontos, seja por melhora operacional. Embora parte relevante dos fundos imobiliários já pareça mais ajustada em preço, ainda há descontos e rendimentos atrativos. Em síntese, o IFIX segue em reprecificação gradual, mais atrelado à trajetória de juros e fundamentos domésticos do que a fluxos internacionais.

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