Ibovespa tenta nova alta, mas perde força com petróleo e cautela externa
O Ibovespa iniciou o segundo trimestre em leve alta nesta quarta-feira (1º), ao subir 0,26%, aos 187.952,91 pontos, após chegar a ensaiar um movimento mais forte ao longo do dia, próximo dos 189 mil pontos.
O índice abriu na casa dos 187 mil, avançou até a máxima de 189.130 pontos, mas perdeu fôlego na reta final, refletindo a redução do otimismo com o cenário externo, apesar das expectativas de um possível cessar-fogo no Oriente Médio.
O movimento acompanhou Nova York, onde os ganhos chegaram a mais de 1%, mas também foram suavizados no fechamento.
Ibovespa: juros ajudam, petróleo limita
A sessão voltou a escancarar a divisão clássica do mercado nas últimas semanas: juros em queda favorecendo domésticos, enquanto o petróleo pressiona o setor de energia.
Entre os destaques positivos:
O setor financeiro, imobiliário e empresas cíclicas lideraram os ganhos, refletindo a expectativa de queda da Selic.
Já na ponta negativa:
- Petrobras (PETR3; PETR4) caiu forte
- Braskem
- Marfrig
- Brava Energia
A queda do petróleo no dia ajudou a explicar o desempenho mais fraco das petroleiras.
Otimismo com guerra sustenta apetite por risco
O pano de fundo da sessão foi novamente o Oriente Médio.
A expectativa de um possível acordo ou ao menos redução das hostilidades sustentou o apetite por risco ao longo do dia, com impacto direto sobre juros e câmbio.
Segundo Bruno Perri, a bolsa brasileira sobe em linha com o otimismo externo, impulsionado pela perspectiva de redução do conflito e normalização do fluxo no Estreito de Ormuz.
Ele acrescenta que esse cenário tem efeitos amplos: “Dólar e juros caem com a saída de ativos de proteção, enquanto a perspectiva de petróleo mais estável abre espaço para juros menores no Brasil e no exterior.”
Exterior melhora, mas cautela retorna
Nos Estados Unidos, os índices chegaram a subir com mais força, mas perderam intensidade ao longo da tarde:
A moderação veio após sinais de que o conflito pode não terminar tão rapidamente quanto o mercado esperava, com autoridades americanas indicando um cronograma ainda de algumas semanas para o fim das operações.
Brasil ganha destaque entre emergentes
Em relatório, o Goldman Sachs aponta que o Brasil está relativamente bem posicionado entre emergentes em cenários de recuperação.
O motivo principal é a exposição ao setor de energia, que ajudou o mercado local a absorver melhor o choque recente do petróleo.
Além disso, o banco destaca que empresas domésticas mais sensíveis a juros podem se beneficiar caso o ciclo de cortes avance. Apesar do tom mais positivo na sessão, o cenário segue instável.
A direção do mercado continua dependente dos desdobramentos geopolíticos, especialmente em torno do Estreito de Ormuz e da dinâmica do petróleo.
Nesse contexto, o Ibovespa inicia o novo trimestre com viés de recuperação, mas ainda sem uma tendência consolidada — em um ambiente onde o otimismo pode mudar rapidamente.