Ibovespa tenta nova alta, mas perde força com petróleo e cautela externa

O Ibovespa iniciou o segundo trimestre em leve alta nesta quarta-feira (1º), ao subir 0,26%, aos 187.952,91 pontos, após chegar a ensaiar um movimento mais forte ao longo do dia, próximo dos 189 mil pontos.

O índice abriu na casa dos 187 mil, avançou até a máxima de 189.130 pontos, mas perdeu fôlego na reta final, refletindo a redução do otimismo com o cenário externo, apesar das expectativas de um possível cessar-fogo no Oriente Médio.

O movimento acompanhou Nova York, onde os ganhos chegaram a mais de 1%, mas também foram suavizados no fechamento.

Ibovespa: juros ajudam, petróleo limita

A sessão voltou a escancarar a divisão clássica do mercado nas últimas semanas: juros em queda favorecendo domésticos, enquanto o petróleo pressiona o setor de energia.

Entre os destaques positivos:

  • Banco do Brasil (+2,74%)
  • Cyrela (+4,39%)
  • Cury (+4,32%)
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  • Gerdau (+3,79%)
  • Embraer (+4,74%)

O setor financeiro, imobiliário e empresas cíclicas lideraram os ganhos, refletindo a expectativa de queda da Selic.

Já na ponta negativa:

  • Petrobras (PETR3; PETR4) caiu forte
  • Braskem
  • Marfrig
  • Brava Energia
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A queda do petróleo no dia ajudou a explicar o desempenho mais fraco das petroleiras.

Otimismo com guerra sustenta apetite por risco

O pano de fundo da sessão foi novamente o Oriente Médio.

A expectativa de um possível acordo ou ao menos redução das hostilidades sustentou o apetite por risco ao longo do dia, com impacto direto sobre juros e câmbio.

Segundo Bruno Perri, a bolsa brasileira sobe em linha com o otimismo externo, impulsionado pela perspectiva de redução do conflito e normalização do fluxo no Estreito de Ormuz.

Ele acrescenta que esse cenário tem efeitos amplos: “Dólar e juros caem com a saída de ativos de proteção, enquanto a perspectiva de petróleo mais estável abre espaço para juros menores no Brasil e no exterior.”

Exterior melhora, mas cautela retorna

Nos Estados Unidos, os índices chegaram a subir com mais força, mas perderam intensidade ao longo da tarde:

  • Dow Jones +0,78%
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  • S&P 500 +0,92%
  • Nasdaq +1,16%

A moderação veio após sinais de que o conflito pode não terminar tão rapidamente quanto o mercado esperava, com autoridades americanas indicando um cronograma ainda de algumas semanas para o fim das operações.

Brasil ganha destaque entre emergentes

Em relatório, o Goldman Sachs aponta que o Brasil está relativamente bem posicionado entre emergentes em cenários de recuperação.

O motivo principal é a exposição ao setor de energia, que ajudou o mercado local a absorver melhor o choque recente do petróleo.

Além disso, o banco destaca que empresas domésticas mais sensíveis a juros podem se beneficiar caso o ciclo de cortes avance. Apesar do tom mais positivo na sessão, o cenário segue instável.

A direção do mercado continua dependente dos desdobramentos geopolíticos, especialmente em torno do Estreito de Ormuz e da dinâmica do petróleo.

Nesse contexto, o Ibovespa inicia o novo trimestre com viés de recuperação, mas ainda sem uma tendência consolidada — em um ambiente onde o otimismo pode mudar rapidamente.

Maíra Telles

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