O Ibovespa fechou esta quarta-feira (23) em queda de 0,86%, aos 185.814,09 pontos, devolvendo parte dos ganhos das duas sessões anteriores. A piora do mercado externo, a pressão dos grandes bancos e da Vale (VALE3) e uma nova pesquisa eleitoral pesaram sobre o índice, enquanto Petrobras (PETR4) destoou e avançou com a alta do petróleo.
O mercado brasileiro chegou a ensaiar uma recuperação durante o pregão, mas não conseguiu sustentá-la. Para Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, o movimento já mostrava pouca força porque ocorria sem a participação de nomes importantes do índice.
“Quem puxou foi a Petrobras, com o Brent subindo 1% e voltando aos US$ 100 por causa das tensões entre Irã e EUA, mas não foi suficiente para o Ibov se manter em alta. A Vale cai mesmo com o minério firme antes do feriado na China, e os grandes bancos recuam. Quando o índice sobe sem bancos e sem Vale, eu não vejo um movimento sustentável”, afirma.
Eleições voltam a pressionar o Ibovespa
O cenário eleitoral ganhou ainda mais peso após nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrar novamente uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Bassani avalia que a reação dos ativos está relacionada principalmente às expectativas para a política fiscal do próximo governo.
“O principal motor, na minha opinião, para a alta do dólar hoje é o fiscal misturado com a eleição. A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula voltando à frente numericamente, ainda em empate técnico, e o mercado reagiu cobrando mais prêmio. Na minha opinião, o que está em jogo não é o nome de quem vai ganhar. É a trajetória da dívida”, diz.
Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, também destaca que as pesquisas continuam apontando uma disputa apertada, sem um sinal suficientemente forte para dar nova direção aos ativos.
Para ele, a queda desta quarta-feira também representa “um movimento de realização após a forte alta dos últimos dias”, enquanto o fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira permanece positivo.
Petrobras (PETR4) sobe, mas bancos e Vale caem
A Petrobras (PETR4) foi uma das exceções entre os pesos-pesados e avançou 2,59%, acompanhando a recuperação do petróleo. O Brent voltou a superar US$ 100 em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Na direção contrária, Vale (VALE3) caiu 1,85%. Os grandes bancos também pressionaram o Ibovespa: Banco do Brasil (BBAS3) recuou 2,21%, Bradesco (BBDC4) perdeu 2,17%, Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,88% e Santander (SANB11) cedeu 0,98%. B3 (B3SA3) perdeu 1,08%.
Bresciani destaca que a bolsa agora precisa de novos gatilhos para sustentar uma retomada, seja no exterior, com inflação e petróleo mais baixos e melhora das expectativas para os juros, seja no cenário eleitoral.
Cotação do dólar hoje
O câmbio também teve uma sessão volátil e chegou a operar em queda antes de ganhar força. Além do cenário eleitoral, a valorização global da moeda americana e a alta dos rendimentos dos Treasuries contribuíram para o movimento.
Maiores altas e baixas
Entre os destaques positivos do Ibovespa, Petrobras (PETR4) avançou 2,59%, acompanhando a valorização do petróleo. Magazine Luiza (MGLU3) também figurou entre as maiores altas do dia.
Na ponta negativa, Yduqs (YDUQ3) recuou 3,12%. Vale (VALE3), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) também estiveram entre as principais pressões sobre o índice.
Fechamento das bolsas americanas
Wall Street terminou em queda nesta quarta-feira, pressionada pela alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries. A atividade americana também mostrou força: o PMI composto preliminar dos Estados Unidos avançou de 56,0 em agosto para 58,4 em setembro, maior nível em 62 meses, aumentando as preocupações com a inflação e os juros.
O movimento também refletiu a redução das expectativas de um acordo próximo entre Estados Unidos e Irã, com o petróleo voltando a superar US$ 100. As tensões geopolíticas contribuíram para pressionar os juros dos Treasuries e as ações americanas.
No Brasil, o IPCA-15 de setembro, que será divulgado na sexta-feira (25), aparece como o principal indicador econômico dos próximos dias e poderá ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos do Banco Central.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (22), foi de 187.422,92 pontos, com alta de 0,44%.
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