O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (7) em forte queda, pressionado pela repercussão dos balanços corporativos, pela leitura cautelosa do comunicado do Banco Central e pela redução do fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira. O principal índice da B3 recuou 1,73%, aos 172.513,42 pontos, próximo da mínima do dia, de 172.131 pontos. Na máxima, chegou aos 176.117 pontos. Na semana, o índice acumulou perda de cerca de 3,1%.
Nem mesmo o alívio no câmbio e nos juros futuros foi suficiente para sustentar a renda variável doméstica. O payroll dos Estados Unidos veio bem abaixo das expectativas e enfraqueceu o dólar globalmente, mas também reforçou dúvidas sobre o ritmo da economia americana e estimulou uma rotação de recursos para ações de tecnologia em Wall Street.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: fechou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,0845.
O movimento refletiu principalmente a surpresa negativa com o mercado de trabalho americano. Os Estados Unidos fecharam 23 mil vagas em julho, ante expectativa de criação de 80 mil postos, o que derrubou os rendimentos dos Treasuries e reduziu a força da moeda americana.
Payroll fraco não ajuda o Ibovespa
Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o pregão foi marcado por um movimento de aversão ao risco e venda de ativos financeiros.
“As boas notícias que tivemos essa semana, como o corte de juros, foram limitadas pelo comportamento cauteloso do Banco Central, sem indicar se teremos novos cortes de juros adiante”, afirma.
O especialista destaca ainda que o payroll abaixo do esperado reduziu a força do dólar, mas não foi suficiente para atrair recursos para mercados emergentes. “Além disso, existe a possibilidade de rotation de mercado, quando os investidores globais começam a ajustar suas posições dos mercados emergentes, como o Brasil, para o mercado americano, principalmente no segmento de tecnologia”, diz.
Petrobras (PETR4) cai mesmo após lucro bilionário
A Petrobras (PETR4) ficou entre as principais pressões sobre o índice, mesmo após divulgar lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, avanço de 96,8% em um ano.
Os papéis preferenciais recuaram cerca de 2,8%, com investidores reagindo principalmente à sinalização da administração de que não há expectativa de pagamento de dividendos extraordinários.
Para Magno, parte do movimento também pode ser explicada por realização de lucros, já que os papéis da estatal acumularam valorização expressiva em julho. “No caso de Petrobras, apesar de reportar bons resultados e informar o pagamento de bons dividendos, as ações vinham de uma alta de quase 15% no mês de julho. Acredito que o movimento de hoje retrate um pouco os investidores realizando parte deste lucro do mês passado”, afirma.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Na ponta negativa, Lojas Renner (LREN3) caiu cerca de 7,5% após divulgar resultados e reduzir suas projeções para o ano. Magazine Luiza (MGLU3) também recuou mais de 4%, pressionada pelo balanço e pelo ambiente ainda desafiador para o consumo.
A Cosan (CSAN3) também ficou entre as quedas, com baixa superior a 2%.
Entre os destaques positivos, Fleury (FLRY3) disparou após apresentar forte geração de caixa e lucro líquido de R$ 221,9 milhões no segundo trimestre, alta de 45,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
PetroReconcavo (RECV3) também avançou após divulgar resultado considerado forte pelo mercado, mantendo a alavancagem em cerca de 1 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda e anunciando remuneração aos acionistas.
Segundo Magno, a semana também foi negativa para o setor financeiro. O índice IFNC acumulou queda superior a 4%, mesmo após os balanços de Itaú e Bradesco apresentarem números próximos das expectativas.
Na avaliação do especialista, a falta de clareza sobre novos cortes da Selic e a redução do fluxo estrangeiro continuam pesando sobre o mercado brasileiro. Até o dia 5 de agosto, o saldo de investidores estrangeiros na bolsa acumulava saída de aproximadamente R$ 834 milhões.
Na próxima semana, o mercado seguirá atento à temporada de resultados e à divulgação do IPCA, que pode voltar a calibrar as expectativas para a política monetária. Uma inflação abaixo do esperado pode ajudar a reduzir os juros futuros e favorecer novamente os ativos de risco.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quinta-feira (6), foi de 175.546,36 pontos, com queda de 1,23%.
Notícias Relacionadas
