Ibovespa dispara e retoma 187 mil com alívio na guerra
O Ibovespa voltou a acelerar nesta terça-feira (31) e encerrou o mês com forte recuperação, ao subir 2,71%, aos 187.461,84 pontos, embalado por sinais de possível distensão no conflito no Oriente Médio e pela alta expressiva das bolsas em Nova York.
O índice saiu da mínima na abertura, na casa dos 182 mil pontos, e ganhou tração ao longo do dia até tocar os 187 mil no fechamento, no maior nível desde o início de março. O movimento foi acompanhado por forte apetite por risco global, com destaque para a alta do Nasdaq, que avançou mais de 3%.
No trimestre, o desempenho chama ainda mais atenção: o Ibovespa acumulou alta de 16,35%, no melhor primeiro trimestre desde 1998.
Ibovespa fecha trimestre forte, apesar de março negativo
Apesar da arrancada nesta sessão, o mês de março foi marcado por volatilidade e mudança de cenário.
O índice terminou março com leve queda de 0,70%, interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de ganhos; movimento diretamente ligado ao aumento da aversão a risco global com a guerra no Oriente Médio.
Ainda assim, o saldo do trimestre se manteve positivo, impulsionado principalmente pelo fluxo estrangeiro e pela rotação global de ativos observada no início do ano.
Distensão geopolítica impulsiona bolsas e reduz pressão
O gatilho da alta desta terça veio do noticiário externo.
Sinais de que o Irã estaria aberto a negociações para um cessar-fogo, desde que com garantias, mudaram o humor dos investidores ao longo da sessão.
Segundo Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, esse movimento teve impacto direto nos ativos: “O interesse em cessar-fogo acelerou a melhora ao longo do dia, com fechamento da curva de juros e impacto positivo para empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico.”
Alta foi ampla, e até bancos lideraram
O rali desta sessão foi disseminado, com forte recuperação de papéis domésticos.
Entre os destaques de alta:
- Natura (+12,99%)
- Magazine Luiza (+9,62%)
- B3 (+7,98%)
- Cosan (+6,11%)
Entre os bancos, o movimento também foi forte:
- Itaú Unibanco subiu mais de 4%
Já a Vale, principal peso do índice, avançou 3,75%.
Na contramão, poucas ações fecharam em queda, com destaque para:
- Petrobras (PETR3; PETR4)
- Prio
- Maiores Altas
- Maiores Baixas
As perdas no setor de petróleo refletem a queda da commodity no fim do dia, diante da expectativa de redução das tensões.
O ambiente internacional foi decisivo para o desempenho do índice. Nos Estados Unidos, as bolsas tiveram forte recuperação:
- Dow Jones +2,15%
- S&P 500 +2,68%
- Nasdaq +3,83%
A melhora global também contribuiu para a queda do dólar e o alívio nas curvas de juros, favorecendo ativos de risco, especialmente em mercados emergentes.
Mercado reage, mas ainda sem solução clara
Apesar do forte avanço, o pano de fundo segue o mesmo: incerteza.
A recuperação desta sessão reflete mais um ajuste de expectativa do que uma mudança estrutural de cenário.
Enquanto não houver um desfecho claro para o conflito, o Ibovespa deve continuar reagindo de forma sensível a cada nova informação — alternando rapidamente entre alívio e aversão ao risco.