Ibovespa perde os 180 mil e entra na pior sequência em meses com tensão global

O Ibovespa voltou a sentir o peso do cenário externo e caiu forte nesta sexta-feira (20), rompendo novamente o nível dos 180 mil pontos e encerrando a sessão no menor patamar em quase dois meses. Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, o índice recuou 2,25%, aos 176.219,40 pontos, ampliando a sequência negativa e refletindo um ambiente global mais defensivo.

O movimento veio acompanhado de forte volatilidade. Ao longo do pregão, o índice oscilou entre 180.305 pontos na máxima e 175.039 pontos na mínima, com volume elevado de R$ 49,5 bilhões, impulsionado pelo vencimento de opções.

Na semana, o índice acumulou perda de 0,81%, enquanto no mês já recua 6,66%. No ano, os ganhos foram reduzidos para 9,37%.

Petróleo acima de US$ 110 reacende temor inflacionário

O principal gatilho para o mau humor foi o avanço do petróleo, que segue pressionado pelo risco de escalada do conflito.

O barril do Brent encerrou a semana acima de US$ 112, sustentando preocupações com inflação global e atrasando as expectativas de cortes de juros nos Estados Unidos.

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Segundo Bruno Shahini, da Nomad, o mercado entrou em modo defensivo: “O cenário reflete uma deterioração clara do ambiente global, com risco de conflito mais longo e impacto direto nos preços de energia.”

A percepção de risco também pressionou o dólar, que voltou a superar os R$ 5,30, e os rendimentos dos Treasuries, indicando um ambiente global de aversão ao risco.

Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) caem mesmo com petróleo em alta

Mesmo com a valorização da commodity, as principais ações ligadas ao setor de energia e mineração não conseguiram sustentar o índice.

Petrobras (PETR3) caiu 2,39%
Petrobras (PETR4) recuou 2,37%
Vale (VALE3) perdeu 1,41%

O desempenho negativo da estatal refletiu preocupações com possíveis interferências após discussões sobre subsídios ao diesel.

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Entre os bancos, as perdas chegaram a 2,47% em Santander (SANB11), reforçando a pressão sobre setores sensíveis a juros.

No lado negativo, destaque para:

Braskem (BRKM5) (-14,21%)
Cyrela (CYRE3) (-7,60%)
MRV (MRVE3) (-5,42%)
Natura (NTCO3) (-5,54%)

Apenas cinco ações fecharam em alta, com Prio (PRIO3) liderando (+3,14%).

Bolsas dos EUA hoje

O movimento global de aversão a risco também dominou Nova York:

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Dow Jones caiu 0,96%, aos 37.998 pontos
S&P 500 recuou 1,51%, aos 5.144 pontos
Nasdaq perdeu 2,01%, aos 16.032 pontos

A piora ao longo da tarde nos EUA ajudou a levar o índice brasileiro às mínimas do dia.

Guerra e petróleo colocam cenário global em xeque

O mercado segue monitorando a possibilidade de uma escalada mais intensa no conflito, incluindo o envio de tropas terrestres pelos Estados Unidos.

Estimativas reforçam o impacto potencial:

• A Fitch projeta petróleo até US$ 120 em cenário prolongado
• O Goldman Sachs aponta impacto de até 0,5% no PIB global em caso de interrupção no fluxo de energia

Sem um desfecho claro para o conflito e com o petróleo ainda pressionado, o Ibovespa permanece vulnerável a novos movimentos de aversão a risco, em um cenário onde o fluxo internacional e as expectativas de juros seguem sendo os principais direcionadores do mercado.

Maíra Telles

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