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Payroll derruba a bolsa: Ibovespa perde os 170 mil pontos e tem pior semana desde abril

Ibovespa encerra em queda

Ibovespa encerra em queda

 O Ibovespa encerrou a sexta-feira (5) abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro, pressionado pela forte reação dos mercados ao payroll americano. O principal índice da B3 caiu 0,77%, aos 169.019,12 pontos, acumulando perda de 2,74% na semana, em um movimento marcado pela aversão ao risco global e pelo aumento das apostas em juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.

O gatilho do dia foi o relatório de emprego dos EUA. A economia americana criou 172 mil vagas em maio, resultado acima das expectativas do mercado. O dado reforçou a percepção de que o mercado de trabalho segue aquecido e reduziu as apostas em um eventual afrouxamento monetário pelo Federal Reserve nos próximos meses.

A reação foi imediata: os rendimentos dos Treasuries avançaram, o dólar ganhou força globalmente e as bolsas passaram a precificar uma postura mais dura do banco central americano.

Payroll derruba o Ibovespa

Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o payroll foi o principal vetor do pregão.

“O payroll pegou forte. Os yields dos Treasuries descolaram bem desde a divulgação, mostrando um mercado de trabalho resiliente e aquecido”, afirmou.

Na avaliação do economista, o resultado fortalece a leitura de manutenção ou até mesmo elevação dos juros nos Estados Unidos, favorecendo a renda fixa em detrimento dos ativos de risco.

Ao longo da tarde, a cautela aumentou ainda mais após novas declarações vindas do Irã. O conselheiro militar Mohsen Rezaei afirmou que o país poderá ampliar o conflito para novas frentes caso não haja avanços nas negociações com os Estados Unidos.

Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o mercado incorporou também um prêmio de risco geopolítico antes do fim de semana.

Cotação do dólar hoje

Maiores altas e baixas

Entre os principais destaques negativos do pregão estiveram as ações ligadas a commodities e bancos.

Maiores baixas do Ibovespa

A mineradora acompanhou a queda do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras refletiu o recuo do petróleo no mercado internacional.

Nos Estados Unidos, a sessão também foi marcada por forte realização. O Nasdaq chegou a cair mais de 4% durante o pregão, pressionado por ações de tecnologia, semicondutores e inteligência artificial.

A próxima semana terá como foco os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Em um ambiente de elevada volatilidade, investidores acompanham de perto a região dos 168,5 mil pontos, apontada por analistas como um importante suporte técnico para o Ibovespa.

Com Estadão Conteúdo

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