Ibovespa cai aos 180 mil e amplia tombo desde recorde histórico

O Ibovespa voltou a cair nesta terça-feira (12) e se aproximou perigosamente da perda da linha dos 180 mil pontos, aprofundando a correção iniciada após os recordes históricos de abril. O principal índice da B3 fechou em baixa de 0,86%, aos 180.342,33 pontos, no menor nível desde 20 de março, após tocar a mínima intradiária de 179.938,70 pontos.

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Com isso, a bolsa brasileira já acumula perda de cerca de 18 mil pontos desde o recorde de fechamento registrado em 14 de abril, quando encerrou aos 198,6 mil pontos. O movimento reflete uma combinação entre realização de lucros, deterioração do ambiente externo, petróleo em alta e frustração parcial com o balanço da Petrobras (PETR4).

Petrobras (PETR4) não segura o Ibovespa

Desta vez, nem Petrobras conseguiu servir de sustentação para o índice.

Mesmo com a alta de cerca de 3,5% do Brent no pregão, as ações da estatal fecharam em queda, em movimento de realização após o balanço trimestral:

  • Petrobras ON (PETR3): -1,16%
  • Petrobras PN (PETR4): -1,62%

Apesar da correção, os papéis ainda acumulam forte valorização em 2026:

  • Petrobras ON (PETR3): +55,77%
  • Petrobras PN (PETR4): +49,92%

Vale (VALE3), principal peso do índice, até ensaiou recuperação no fim do pregão, mas fechou em baixa de 0,24%.

Entre os bancos, o tom também foi negativo:

  • Itaú (ITUB4): -1,14%
  • Banco do Brasil (BBAS3): -1,02%

Na ponta positiva, o grande destaque foi Braskem (BRKM5), que disparou 29,02% após o JPMorgan elevar a recomendação da ação para compra.

Maiores altas:

  • Braskem (BRKM5): +29,02%
  • Hapvida (HAPV3): +9,27%
  • Direcional (DIRR3): +3,50%

Maiores quedas:

  • Natura (NTCO3): -5,62%
  • Yduqs (YDUQ3): -4,03%
  • Azzas (AZZA3): -3,29%

Cotação do dólar hoje

O dólar à vista fechou praticamente estável nesta terça-feira, cotado a R$ 4,89.

Nos Estados Unidos, o dia foi de ajuste após os recordes históricos da véspera:

  • Dow Jones: +0,11%
  • S&P 500: -0,29%
  • Nasdaq: -0,71%

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O movimento em Wall Street refletiu cautela com o avanço das tensões entre Estados Unidos e Irã, além da repercussão dos dados de inflação ao consumidor (CPI) dos EUA.

Petróleo, inflação americana e saída de estrangeiros pesam

Segundo Bruno Perri, da Forum Investimentos, o mercado global sofreu com a alta do petróleo e com a leitura do CPI americano, que refletiu os impactos do choque energético sobre a inflação, pressionando os rendimentos dos Treasuries e fortalecendo o dólar globalmente.

No Brasil, o mercado também sente a reversão parcial do fluxo estrangeiro, que havia sido um dos principais motores da forte alta da bolsa nos últimos meses.

Marcelo Fonseca, da CVPAR, destacou que a redução desse fluxo, somada à reação negativa ao balanço da Petrobras, ajuda a explicar a nova pressão sobre o índice.

Já Leonardo Santana, da Top Gain, afirmou que o pano de fundo continua sendo o ambiente macroeconômico global deteriorado, com os conflitos no Oriente Médio sem solução concreta e mantendo a percepção de risco elevada.

No fim do pregão, o Ibovespa ampliou a correção recente e passou a operar em um patamar que não era visto desde março, com investidores cada vez mais cautelosos diante da combinação entre geopolítica, petróleo e juros elevados. 

Com Estadão Conteúdo

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Maíra Telles

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