Gerdau (GGBR4): BTG rebaixa recomendação para neutra; entenda por quê

O BTG Pactual rebaixou a recomendação das ações da Gerdau (GGBR4) de compra para neutra, após uma forte valorização recente dos papéis. A decisão, segundo o banco, está ligada principalmente à redução da assimetria positiva, e não a uma piora nos fundamentos da companhia.

Nos últimos seis meses, as ações da Gerdau acumularam alta de cerca de 40%, movimento que levou o banco a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao risco-retorno da ação no curto prazo.

“Após uma valorização expressiva de 40% em apenas seis meses, acreditamos que o risco-retorno se tornou menos atrativo do que antes e que é prudente realizar parte dos lucros nesses níveis”, destacam os analistas.

Por que o BTG rebaixou as ações da Gerdau (GGBR4)?

Um dos principais fatores por trás do rebaixamento é a compressão do fluxo de caixa livre. O BTG projeta que o free cash flow yield da Gerdau fique entre 6% e 7% em 2026, abaixo dos 10% a 11% observados quando a ação ainda carregava recomendação de compra. Este é um indicador que mostra quanto de caixa uma empresa gera em relação ao valor de mercado das suas ações.

Outro ponto que pesou no rebaixamento da recomendação foi o valuation da Gerdau. Segundo o BTG, a ação é negociada a 4,6 vezes o EV/EBITDA estimado para 2026, um patamar acima da média histórica da companhia.

Na prática, esse indicador mostra quanto o investidor está pagando hoje pela capacidade de geração de resultado da empresa no futuro. Quanto maior o número, maior é o preço pago por essa geração de lucro.

Outro ponto destacado pelo banco é que as operações nos Estados Unidos já estão precificadas. O BTG mantém uma visão positiva sobre a operação da Gerdau nos país norte-americano, que deve concentrar mais de 70% do EBITDA consolidado da companhia em 2026. As margens de EBITDA no país devem permanecer em torno de 21%, sustentadas pela demanda do setor de infraestrutura e pela disciplina de oferta.

Apesar disso, o banco avalia que boa parte desse cenário favorável já está refletida no preço das ações, limitando o potencial de valorização adicional.

No mercado brasileiro, o cenário continua desafiador. O BTG destaca preços pressionados, concorrência com aço importado e crescimento limitado de volumes, o que deve manter as margens em níveis baixos.

“Seguimos vendo a Gerdau (GGBR4) como a melhor siderúrgica da América Latina, mas com upside mais limitado após a recente valorização”, destacam os analistas.

Giovanna Oliveira

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