EZTec (EZTC3) fecha contrato bilionário com Itaú (ITUB4); analistas veem dividendo de até 25%
As ações da EZTec (EZTC3) subiram nesta sexta-feira (18) após a incorporadora anunciar um contrato de R$ 1,17 bilhão com o Itaú Unibanco (ITUB4) para a locação integral do Esther Towers, empreendimento corporativo localizado em São Paulo.
O ticker da ação da companhia é EZTC3, conforme a página da empresa no Status Invest. Por volta das 11h, os papéis avançavam 3,40%, cotados a R$ 13,39. Em um mês, a valorização se aproximava de 30%.
Como funciona o contrato do Esther Towers?
Segundo o fato relevante disponibilizado pela EZ Tec, o contrato foi celebrado pela Mairiporã Incorporadora, subsidiária da EZ Inc, para a ocupação integral das duas torres do empreendimento.
O Esther Towers possui aproximadamente 91,4 mil metros quadrados de área locável. O contrato terá duração inicial de dez anos, com possibilidade de prorrogação por outros cinco, e deverá gerar receita de cerca de R$ 1,17 bilhão na primeira década.
A vigência começará de forma escalonada, conforme as torres forem entregues. A conclusão da primeira está prevista para o fim de 2026, enquanto a segunda deve ficar pronta no primeiro semestre de 2027.
Os valores dos aluguéis serão corrigidos anualmente pelo IPCA. Dividida pelo período inicial do contrato, a receita equivale a aproximadamente R$ 117 milhões por ano.
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BTG vê potencial de dividendo de 20% para EZTC3
O BTG Pactual calcula que o contrato implica um aluguel mensal próximo de R$ 107 por metro quadrado. Para os analistas, o Esther Towers pode gerar valor para a EZ Tec tanto por meio da receita recorrente quanto em uma eventual venda futura do empreendimento.
No cenário em que a companhia mantém o ativo, o banco estima que os R$ 117 milhões anuais de resultado operacional líquido representariam aproximadamente 20% do lucro projetado pelo BTG para a incorporadora em 2027.
Em uma eventual venda, considerando uma taxa de capitalização de 8%, o banco avalia o Esther Towers em cerca de R$ 1,45 bilhão. O valor corresponde a aproximadamente 40% do enterprise value da EZ Tec.
Caso todo o valor líquido de uma possível transação fosse distribuído aos acionistas, o BTG calcula um dividend yield adicional de aproximadamente 20%. Nesse cenário, as ações poderiam ser negociadas a cerca de quatro vezes o lucro e 0,6 vez o valor patrimonial.
O BTG mantém recomendação de compra para EZTC3, com preço-alvo de R$ 21. O valor representa potencial de valorização de aproximadamente 57% em relação à cotação de R$ 13,39 considerada no relatório.
Safra calcula dividendo extraordinário de até 25%
O Safra também estima um aluguel mensal médio de aproximadamente R$ 107 por metro quadrado. O número ficou cerca de 7% abaixo da projeção anterior da instituição, de R$ 115 por metro quadrado.
A casa avalia que o empreendimento poderia ser vendido por aproximadamente R$ 1,4 bilhão, considerando uma taxa de capitalização de saída de 8%.
Os custos totais do projeto são estimados pelo Safra em R$ 1,2 bilhão, dos quais cerca de 85% já teriam sido incorridos. Com isso, uma venda poderia gerar lucro líquido de aproximadamente R$ 134 milhões, equivalente a 21% da estimativa de lucro do banco para a EZTec em 2027.
Considerando um prazo conservador de dois anos para uma eventual venda, o Safra estima um valor presente líquido de R$ 895 milhões. Se esse montante fosse distribuído aos acionistas, poderia representar um dividend yield extraordinário de aproximadamente 25%.
Apesar do potencial, o banco pondera que parte do efeito positivo já havia sido incorporada ao preço da ação, diante da valorização próxima de 30% registrada no último mês.
O Safra mantém recomendação outperform, equivalente à compra, para EZTC3, com preço-alvo de R$ 21,50. A projeção indica potencial de alta de aproximadamente 61% sobre a cotação usada no relatório.
Itaú BBA já apontava empreendimento como catalisador
O Itaú BBA também vinha destacando o Esther Towers como um dos principais catalisadores para os papéis da companhia. Em avaliação divulgada após a prévia operacional do segundo trimestre de 2026, a instituição manteve recomendação outperform para EZTC3.
Na ocasião, o banco classificou os dados operacionais da incorporadora como mistos, com lançamentos acima das projeções, mas vendas líquidas abaixo do esperado. Mesmo diante de um ambiente macroeconômico considerado desafiador, o BBA sustentou sua visão positiva devido ao valuation da empresa e à possibilidade de monetização do Esther Towers.
A locação integral melhora a previsibilidade de geração de receita do imóvel, mas uma distribuição extraordinária dependerá de uma futura venda do empreendimento e da decisão da companhia sobre a destinação dos recursos. Portanto, os rendimentos de 20% e 25% calculados por BTG e Safra são cenários elaborados pelos analistas, não proventos anunciados pela empresa.
Por enquanto, o efeito confirmado do negócio é a contratação de R$ 1,17 bilhão em receitas de locação ao longo de dez anos. Para os analistas, a forma como o Esther Towers será monetizado continuará sendo um dos principais pontos de atenção para as ações da EZTec (EZTC3).