O dólar chega à reta final de 2026 disputado por juros nos Estados Unidos, eleições brasileiras, contas públicas e tensões geopolíticas. Segundo levantamento divulgado pela B3, o real acumulava valorização de 8,48% frente à moeda americana até 3 de agosto, o segundo melhor desempenho entre as principais divisas do mundo.
Apesar disso, especialistas ouvidos pela B3 enxergam espaço para alguma recuperação do dólar até dezembro, ainda que em meio a fortes oscilações.
Onde o dólar pode terminar 2026?
O Boletim Focus citado pela B3 apontava expectativa de dólar a R$ 5,20 no fim do ano. Entre os especialistas consultados, as projeções ficaram um pouco mais altas.
Raissa Florence, da Oz Câmbio, trabalha com uma faixa entre R$ 5,40 e R$ 5,60. Diego Hernandez, da Ativo Investimentos, vê a moeda perto de R$ 5,30.
As estimativas não indicam uma disparada inevitável, mas sugerem que o dólar pode encerrar o ano acima dos níveis observados no início de agosto.
O que pode pressionar a moeda?
O calendário eleitoral brasileiro aparece entre os principais fatores de risco. Propostas que indiquem aumento de gastos ou piora das contas públicas podem elevar a aversão ao risco e fortalecer o dólar.
No exterior, inflação persistente nos Estados Unidos, juros americanos elevados e novas tensões geopolíticas também podem aumentar a procura pela moeda.
Em sentido contrário, cortes de juros pelo Federal Reserve, melhora fiscal no Brasil, entrada de capital estrangeiro e preços elevados das commodities poderiam sustentar o real.
Vale a pena dolarizar a carteira?
Os especialistas consultados pela B3 defendem que a exposição internacional seja encarada como diversificação, e não como tentativa de acertar o melhor momento do câmbio.
Aportes graduais reduzem o risco de concentrar toda a posição antes de uma queda da moeda. Além disso, ativos internacionais podem funcionar como proteção em períodos de estresse político, fiscal ou externo.
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Até dezembro, a trajetória do dólar dependerá de uma combinação difícil de prever entre juros, eleições, política fiscal e cenário internacional. As projeções reunidas pela B3 apontam leve valorização da moeda americana, mas a principal certeza continua sendo a volatilidade.
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