O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (16), em um dia marcado pela repercussão da decisão dos Estados Unidos de confirmar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Por volta das 10h, a moeda norte-americana avançava 0,40% frente ao real, cotada a R$ 5,10.
O movimento reflete a cautela dos investidores após o governo americano oficializar a medida, que passa a valer em 22 de julho. Embora a lista de produtos afetados pelas tarifas dos EUA tenha sido acompanhada por uma série de exceções, o anúncio elevou as preocupações sobre o cenário para o comércio entre Brasil e Estados Unidos.
A nova tarifa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que concluiu uma investigação iniciada há cerca de um ano. Segundo o órgão, o Brasil mantém práticas consideradas prejudiciais ao comércio bilateral.
Entre os principais produtos brasileiros, no entanto, ficaram de fora da cobrança itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose, considerados estratégicos para o mercado americano.
Entenda o que são as novas tarifas dos EUA
A tarifa adicional de 25% é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. O mecanismo permite ao governo americano aplicar medidas comerciais quando identifica práticas que considera desleais por parte de outros países.
No caso do Brasil, o relatório cita temas como o sistema de pagamentos Pix, barreiras ao comércio de etanol, desmatamento ilegal e falhas no combate à pirataria como fatores que, na visão do governo americano, restringem ou dificultam o comércio com empresas dos Estados Unidos.
Apesar disso, a lista final preservou diversos produtos relevantes da pauta exportadora brasileira. Segundo o governo americano, as exceções contemplam itens considerados importantes para o abastecimento interno ou cuja oferta doméstica é insuficiente.
No Brasil, apesar da alta do dólar nesta manhã, a avaliação da equipe econômica é de que o impacto agregado da medida tende a ser limitado. Em uma análise divulgada no Boletim MacroFiscal, a Secretaria de Política Econômica (SPE) destacou que os Estados Unidos responderam por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, participação equivalente a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, parte das perdas registradas após o tarifaço aplicado no ano passado foi compensada pelo redirecionamento das exportações para outros mercados.
Notícias Relacionadas
