Ícone do site Suno Notícias

China fecha a torneira da carne? O risco que pode mexer com JBS (JBSS32), Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3)

Cota de carne bovina brasileira na China pode afetar exportações de frigoríficos no segundo semestre.

Cota de carne bovina brasileira na China pode afetar exportações de frigoríficos no segundo semestre.

A cota de importação de carne bovina brasileira pela China pode virar um teste importante para os frigoríficos no segundo semestre. Segundo relatório da Genial Institucional, assinado por Luca Vello, o ponto de atenção para o investidor não está apenas na demanda chinesa por proteína, mas na matemática da cota: se o limite for atingido, a tarifa sobre a carne brasileira pode saltar de 12% para 55%.

O relatório aponta que a cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira enviada à China já estava aproximadamente 70% consumida até abril. Mantido o ritmo atual, o limite deve ser atingido por volta de agosto. Como o produto leva cerca de 50 a 60 dias para chegar ao mercado chinês, os embarques de carne brasileira para a China tenderiam a ser interrompidos já a partir de meados de junho para evitar a tarifa mais alta.

O que muda para os frigoríficos?

Na avaliação da Genial, o impacto não deve ser igual para todas as empresas. O relatório destaca que apenas a carne com origem no Brasil é afetada pela cota. Frigoríficos com operações em outros países, como Argentina, Uruguai, Colômbia, Austrália e Estados Unidos, têm mais alternativas para redirecionar a oferta à China.

No caso da Minerva (BEEF3), a análise aponta que a empresa é uma das mais expostas ao tema, com cerca de 8% a 9% da receita consolidada ligada à carne brasileira enviada à China. Ao mesmo tempo, a companhia também é vista como uma das mais protegidas, por conseguir redirecionar clientes chineses para operações em outros países da América do Sul.

Para MBRF (MBRF3), a exposição estimada é menor. Segundo o relatório, China e Hong Kong representam cerca de 4% das vendas consolidadas, considerando que a parte de carne bovina da América do Sul é apenas uma fatia do grupo. A companhia já estaria reduzindo temporariamente embarques de carne brasileira para a China, com normalização esperada entre setembro e outubro de 2026.

Já a JBS é vista como mais protegida pela diversificação global. Embora a JBS Brasil tenha exposição à demanda chinesa, o grupo também abastece a China a partir de Austrália e Estados Unidos, além de ter grande parte dos clientes concentrada na região do Nafta.

O relatório também aponta dois fatores que podem suavizar o impacto: a possível queda do preço do boi no Brasil, diante de menor ritmo de abate, e o prêmio do mercado dos Estados Unidos, que pode beneficiar frigoríficos com plantas habilitadas para exportar ao país.

Entre as recomendações, a Genial mantém compra para JBS, com preço-alvo de US$ 18,50 para a ação nos Estados Unidos e R$ 95,50 para o BDR no Brasil. Para MBRF, a recomendação também é de compra, com preço-alvo de R$ 23. Já Minerva aparece com recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 4,75.

Na prática, o investidor deve acompanhar três pontos: se a China vai ampliar ou não a cota, quando o limite será efetivamente atingido e quais frigoríficos conseguirão redirecionar melhor os embarques sem sacrificar margens. Como resume o relatório, em tradução livre, “o abismo é mecânico, e o relógio está mais perto do que parece”.

Sair da versão mobile