O Fed e Copom chegam à Superquarta em meio a um alívio nos mercados globais, após sinais de solução entre Washington e Teerã reduzirem a pressão sobre o petróleo. Mas, para analistas, esse respiro ainda não muda o cenário central para os juros: nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção da taxa pelo Federal Reserve; no Brasil, o mercado ainda vê espaço para um corte limitado de 0,25 ponto porcentual na Selic.
Na avaliação de Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, a semana começou com um “alívio generalizado” nos ativos de risco, mas isso não significa uma mudança relevante nas apostas para a decisão do Banco Central brasileiro.
“Mesmo com a curva de juros fechando em queda em todos os vencimentos, ainda é aguardado esse corte de 0,25 para a quarta-feira”, afirma Bruna.
Copom deve cortar, mas inflação ainda incomoda
No Brasil, a Selic está em 14,50% ao ano. A expectativa de parte do mercado é que o Copom reduza a taxa para 14,25%, em mais um movimento de calibragem da política monetária.
O ponto de atenção é que o cenário segue desconfortável. Segundo Bruna, o alívio recente nos preços do petróleo não elimina imediatamente os riscos inflacionários já incorporados pelo mercado. Para ela, os impactos do choque geopolítico sobre commodities e energia ainda podem aparecer nos índices de preços.
“Esse desfecho diplomático não altera, a princípio, as projeções para a reunião agora de quarta-feira”, diz a economista da Blue3.
A leitura conversa com a prévia do Daycoval, que também espera corte de 0,25 ponto porcentual, levando a Selic de 14,50% para 14,25%. O banco avalia que o fim do conflito externo e o arrefecimento do petróleo reforçam esse cenário, mas destaca que o quadro inflacionário segue desafiador.
Já o BTG Pactual projeta um último corte de 0,25 ponto em junho, seguido de estabilidade até o fim de 2026. Para a casa, a decisão mais prudente seria pausar já agora, mas a comunicação recente do Banco Central ainda aponta para continuidade do processo de calibragem.
Fed deve ficar parado nos EUA
Nos Estados Unidos, a expectativa predominante é de manutenção da taxa básica no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A reunião desta semana ocorre em um momento de inflação ainda pressionada e atividade econômica resiliente.
Bruna Centeno também vê o Fed em modo de espera. Para ela, os dados de inflação ainda mostram um “platô de alta”, enquanto a economia americana segue resistente, o que reduz espaço para uma postura mais branda no curto prazo.
“Em relação ao Fed, também é esperado, assim como já havia sendo precificado, a manutenção da taxa básica de juros”, afirma.
Segundo a economista, o consenso é de manutenção dos juros nos Estados Unidos e corte de 0,25 ponto no Brasil. O tom dos comunicados, porém, deve ser tão importante quanto a decisão em si.
O que o investidor deve observar?
Para o investidor, o foco da Superquarta não deve ficar apenas nos números. No Brasil, a dúvida é se o Banco Central vai indicar que o ciclo de cortes está perto do fim. Nos Estados Unidos, o mercado quer saber se o Fed vai manter a postura de espera ou sinalizar um tom ainda mais duro contra a inflação.
Com isso, o encontro do Fed e Copom deve testar até onde vai o otimismo recente dos mercados. Como resume Bruna Centeno, o tom pode até vir “um pouco mais calmo” após o alívio nos ativos de risco, mas “nada que altere a reunião dessa semana em termos de perspectiva”.
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