As ações da Braskem (BRKM5) operam entre as maiores quedas do Ibovespa nesta terça-feira (30), em meio ao aumento das preocupações do mercado com a situação financeira da petroquímica. Além do corte na recomendação feito pelo JPMorgan, a companhia também sofreu novos rebaixamentos em suas classificações de crédito pelas agências Fitch Ratings e S&P Global.
Por volta das 13h, as ações da Braskem recuavam 4,39%, negociados a R$ 6,32, liderando as perdas do principal índice da bolsa brasileira. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,69%, aos 172.008,27 pontos.
JPMorgan reduz recomendação das ações BRKM5
O JPMorgan rebaixou a recomendação para as ações BRKM5 de overweight, equivalente à compra, para neutra. O banco também reduziu pela metade o preço-alvo dos papéis para dezembro de 2026, passando de R$ 15 para R$ 7,50.
A revisão acontece pouco mais de um mês após a instituição adotar uma visão mais positiva sobre a companhia. Na ocasião, a expectativa era de melhora no ambiente para o setor petroquímico e de avanços na governança corporativa, fatores que sustentavam uma perspectiva mais favorável para as ações.
Agora, porém, os analistas entendem que esse cenário perdeu força. Entre os motivos citados estão a piora das perspectivas para a indústria petroquímica e o aumento das incertezas envolvendo a reestruturação financeira da empresa.
O banco também reduziu suas estimativas para a geração de caixa da Braskem. A projeção de Ebitda para 2026 passou para US$ 2,2 bilhões, cerca de 20% abaixo da estimativa anterior.
Segundo o JPMorgan, o elevado nível de endividamento da companhia amplia o impacto de revisões nas projeções operacionais sobre o valor das ações. Além disso, a instituição avalia que o desfecho das negociações com os credores deve continuar sendo o principal fator para o desempenho dos papéis.
Fitch e S&P rebaixam ratings da Braskem
Além da mudança na recomendação do JPMorgan, a Braskem também foi alvo de novos cortes nas classificações de crédito.
A Fitch Ratings rebaixou o rating de emissor da companhia de CC para C na escala global e de CC(bra) para C(bra) na escala nacional. Essa nota indica que um evento de crédito, como inadimplência ou reestruturação da dívida, é considerado praticamente inevitável e fica apenas um nível acima das classificações que caracterizam default.
Já a S&P Global reduziu o rating de longo prazo da petroquímica para D, classificação atribuída a empresas em situação de inadimplência após a obtenção de proteção judicial contra credores.
Na avaliação das agências, a capacidade da Braskem (BRKM5) de cumprir seus compromissos financeiros se deteriorou de forma significativa. Com isso, os rebaixamentos também tendem a dificultar o acesso da companhia ao mercado de crédito, elevar o custo de futuras captações e restringir o interesse de investidores institucionais que possuem limitações para investir em empresas com classificações de risco mais baixas.
Notícias Relacionadas
